Após pressão popular, Pepsi retira aspartame dos refrigerantes diet

Gigante da indústria alimentícia associa queda no consumo de refrigerantes dietéticos à percepção de que o adoçante aspartame faz mal à saúde e determina troca.

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[quote_right]Nova versão da bebida promete ter o mesmo sabor da antiga, mas deixará uma “sensação nova na boca”[/quote_right] [dropcap type=”1”]N[/dropcap]a semana passada, o portal SobrePeso trouxe uma matéria exclusiva sobre o consumo de refrigerantes diet e light. Afinal de contas, vale a pena consumi-los? [descubra aqui!] Um dos principais motivos por trás da desconfiança em relação a estas bebidas é a presença do aspartame, um adoçante artificial que já foi associado a doenças como o câncer.

Agora, a Pepsi informa que deixará de adicionar aspartame às suas bebidas diet por conta da “pressão popular”.

A partir de agosto, as versões diet da Pepsi nos Estados Unidos terão o aspartame substituído por uma mistura de sucralose e acessulfame de potássio. Em testes, consumidores disseram que o gosto é o mesmo, mas a nova versão deixa uma “sensação diferente” na boca.

 

QUEDA NAS VENDAS GERA MUDANÇA NA FÓRMULA

[dropcap type=”1″]A[/dropcap] empresa registrou queda de 5% nas vendas da Pepsi Diet no ano passado. A rival Coca Cola também viu uma queda em sua linha dietética: a Coca Diet vendeu 6% a menos em 2014.

Ambas as bebidas contêm aspartame. Pesquisas internas da Pepsi revelaram que o adoçante é o principal motivo pelo qual os consumidores deixam de consumir os refrigerantes.

“Consumidores nos EUA nos disseram que queriam uma Pepsi Diet livre de aspartame, e estamos lhes entregando”, disse nesta segunda-feira em comunicado Seth Kaufman, vice-presidente sênior da Pepsi.

A empresa ainda não informou se tem planos de lançar a nova linha no Brasil.

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Os comerciais da Pepsi Diet sempre foram associados à saúde, magreza e beleza – mas há gente que discorda dos potenciais “benefícios” da bebida.

AFINAL, ASPARTAME FAZ MAL?

[dropcap type=”1″]D[/dropcap]uas questões chamam a atenção na troca de adoçantes pela Pepsi. Em primeiro lugar, há, de fato, provas de que o aspartame faz mal à saúde? E já existem estudos garantindo que a nova mistura de adoçantes faz bem?

[quote_right]Mais de 100 estudos científicos atestam a segurança do aspartame em humanos, mas pesquisadores ainda apontam malefícios[/quote_right]

A resposta para ambas as perguntas é “não”. Quanto ao aspartame, a FDA, agência regulatória norte-americana afirma que ele é “uma das substâncias mais exaustivamente estudadas na história do suprimento alimentar humano, com mais de 100 estudos confirmando sua segurança“.

Os poucos trabalhos que mostram associação entre aspartame e vários tipos de câncer são rechaçados pela comunidade científica, pois foram feitos dando doses gigantescas do adoçante a ratos – doses tão grandes que são impensáveis em uma dieta humana.

Há cientistas que discordam, porém, da aparente inocuidade do aspartame. Em entrevista à BBC Brasil, “Giovana de Lucca, nutricionista funcional pela Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), explica que o aspartame é agressivo às paredes das células e que muitos estudos apontam que ele pode ser cancerígeno. A especialista também afirma que a maioria dos produtos industrializados consumidos no Brasil contêm esse adoçante.”

Já quanto à segurança da sucralose e do acessulfame de potássio para consumo humano, pouca informação existe. É de se pensar se exigir a substituição do aspartame por outros tipos de adoçantes vale mesmo a pena ou se não é trocar seis por meia dúzia – ou até mesmo levar à piora da saúde de quem consome refrigerantes diet com freqüência.

Na dúvida, vale a pena trocar, pelo menos alguns vezes por semana, os refrigerantes por bebidas naturais.

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