Bomba de açúcar: por que os refrigerantes fazem tão mal ao corpo?

Bomba de açúcar: por que os refrigerantes fazem tão mal ao corpo?

No mês em que propagandas de refrigerantes para crianças foram banidas no Brasil, entenda as origens da ‘guerra’ contra estas populares bebidas.

bomba de açúcar - o perigo dos refrigerantes

Mudanças à vista. Há poucas semanas, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas – entidade que reúne as maiores marcas do mercado, como Ambev, Pepsi e Coca-Cola – tomou duas atitudes históricas.

Em primeiro lugar, os fabricantes de refrigerantes decidiram parar de fazer publicidade para crianças. Com isso, qualquer programa de TV que tenha um público infantil menor de 12 anos não terá mais propagandas de refri e de outras bebidas açucaradas durante os intervalos comerciais.

A segunda atitude foi discutir a retirada dessas bebidas das cantinas das escolas em todo o país.

As medidas são uma resposta a questionamentos da sociedade, de governos, da comunidade médica e científica sobre os malefícios à saúde do consumo constante de refrigerantes, sucos e chás industrializados. Mas por que motivo este tipo de bebida é tão mal visto? Será que há razão para tantas proibições?

 

A CADA ANO QUE PASSA, MAIS PESSOAS ACIMA DO PESO…DE QUEM É A CULPA?
exercicio fisico e boa alimentação contra o sobrepeso
Exercicio fisico e boa alimentação continuam sendo armas eficientes contra o sobrepeso.

Conforme a epidemia global de obesidade e sobrepeso avança, a sociedade apressa-se em encontrar maneiras de reverter essa preocupante tendência.

Hoje, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 40% da população mundial está acima do peso. O sobrepeso aumenta o risco para uma série de doenças perigosas, como o diabetes tipo 2 e a hipertensão. Apesar disso, o número de pessoas com sobrepeso e obesidade aumenta a cada ano.

O que pode ser feito para incentivar as pessoas a manter o peso sob controle? Duas estratégias são comumente usadas: incentivar a prática de atividades físicas e ensinar às pessoas o que é uma alimentação saudável.

Campanhas de incentivo à prática de esportes existem há anos, porém os resultados, infelizmente, nem sempre são bons. O modo de vida moderno, pra lá de sedentário, faz com que nos movimentemos pouco ao longo do dia. Além disso, para muitas pessoas que moram longe de parques públicos ou áreas seguras, é difícil voltar do trabalho à noite e sair de casa para praticar um esporte ou correr.

Assim, muitos acreditam que uma estratégia mais efetiva é educar as pessoas sobre a alimentação. O que faz bem? O que faz mal? Quais são os malefícios à saúde de alguns alimentos? Nesse cenário educativo, é bom destacar o papel dos refrigerantes em nossa alimentação. Segundo estudos científicos, eles são alguns dos maiores vilões do controle do peso, conforme veremos a seguir.

 

POR QUE MOTIVO OS REFRIGERANTES FAZEM TÃO MAL?

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Muitas vezes, o hábito de tomar refrigerantes vem desde cedo.

Em termos simples, por dois motivos: o primeiro é que os refrigerantes costumam conter quantidades assustadoramente altas de açúcar – veja mais logo abaixo –, e o segundo é que praticamente não há nutrientes que poderiam ser benéficos ao corpo em sua composição

Assim, beber um copo de refrigerante dificilmente trará algo de bom para o organismo – apenas muito, muito, muito açúcar. Isso é diferente de beber um suco natural de frutas, por exemplo. Apesar de também conter açúcar, o suco natural possui vitaminas e demais nutrientes que ajudam o corpo a funcionar bem.

O excesso de açúcar na dieta está relacionado a um número grande de problemas de saúde, desde o aumento de peso a riscos maiores de doenças cardiovasculares (como derrames e enfartos), hipertensão e diabetes. E isto ocorre não apenas entre os mais gordinhos. Em uma pesquisa publicada na revista científica Obesity em 2014, cientistas da Escola de Medicina da Universidade Tufts, nos EUA, mostram que adultos – tanto os magros quantos os acima do peso – que tomavam um copo de bebidas industrializadas por dia tinham duas vezes mais chances de apresentar problemas em seus níveis de colesterol, triglicérides, resistência à insulina, pressão sanguínea e demais parâmetros quando comparados com quem se abstinha desse tipo de bebida.

Ou seja, o excesso de açúcar e a falta de nutrientes são uma verdadeira “bomba” para nosso organismo, que não é adaptado a processar tanta energia de uma só vez. Some isso ao fato de que quem toma refrigerante costuma beber mais de um copo por dia, e temos a fórmula perfeita para uma saúde debilitada.

 

POPULAÇÃO SE UNE NA LUTA CONTRA OS REFRIGERANTES

Tomar refrigerante durante as refeições já é uma tradição nas mais diversas famílias, pouco importa o país em que se vive. O consumo destas bebidas é alto – só nos Estados Unidos, por exemplo, vende-se o equivalente a 320 milhões de latinhas todos os dias. E há países nos quais o consumo é ainda maior…

Sabendo disso, diversos trabalhos científicos concluíram que o consumo exagerado de refrigerantes é uma das principais causas do aumento de peso – e de suas consequências – registrado pelo mundo. No ano passado, um estudo conduzido por nutricionistas da Universidade Tufts, nos EUA, concluiu que bebidas açucaradas (como refris e sucos industrializados) são diretamente responsáveis por 184 mil mortes todos os anos, no mundo inteiro, por causa do diabetes, das doenças cardíacas e de cânceres relacionados à obesidade que elas induzem.

Sendo assim, se pudéssemos educar as pessoas a beber menos refrigerantes, isso já representaria uma grande melhora neste problema global do sobrepeso…mas como fazer isso?

 

‘IMPOSTOS DO AÇÚCAR’ E OUTRAS ARMAS CONTRA O EXCESSO

Uma das estratégias mais empregadas recentemente é obrigar os governos a definir um “imposto do açúcar”. Isto é, qualquer produto industrializado que leve quantidades altas de açúcar seria sobretaxado, aumentando seu preço nas prateleiras. Com isso, espera-se, o consumo cairá.

Outra estratégia é pressionar os fabricantes a mudar a formulação de seus produtos e adicionar menos açúcar nas bebidas. As empresas têm reagido a este tipo de ação. A Coca-Cola anunciou recentemente a criação da linha Coca Cola Life’, trocando o tradicional vermelho das embalagens por verde e diminuindo em 40% o total de calorias. Além disso, a empresa começou a vender os refris em embalagens menores (de 200mL), estimulando as pessoas a beber menos.

Ainda, campanhas de conscientização não param de sair na mídia. Anúncios e reportagens na TV, em revistas e na internet alertam sobre os malefícios do consumo diário de refrigerantes e de outras bebidas processadas.

Estas estratégias parecem surtir efeito. Em todo o mundo, o consumo de refrigerantes tem caído consideravelmente nos últimos anos. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados ano passado, os brasileiros consomem, hoje, 20% menos refrigerantes do que há 6 anos.

 

REFRIGERANTES SÃO SOBREMESA LÍQUIDA

brigadeiro foto do docinho

Quando pensamos em doces ou sobremesas, geralmente um alimento sólido vem à cabeça, não é mesmo? Balas, bombons, bolos, tortas…todos alimentos repletos de açúcar.

Todo mundo sabe que não é bom comê-los em demasia. Porém, quase ninguém leva este conselho em consideração quando o assunto é refrigerante – bebida às vezes mais doce do que muitos sólidos.

De acordo com um estudo do National Cancer Institute, dos EUA, publicado em 2010, os refrigerantes são a maior fonte de calorias na dieta de crianças entre 14 e 18 anos. Elas consomem 4x mais calorias a partir das bebidas do que dos doces sólidos que ingerem.

“Bebidas adoçadas com açúcar podem bem ser “a tempestade perfeita” de efeitos nocivos: uma dose grande de carboidratos refinados, digestão muito rápida e habilidade menor de compensação pelas calorias extra” – Dariush Mozaffarian, presidente da Escola Friedman de Nutrição.

Imagine comer 4 brigadeiros todos os dias, durante as refeições. Ninguém acredita que conseguiria manter o peso e a saúde através dessa dieta. Mas poucos parecem se importar quando o doce em questão é líquido. Um copo de 350mL de refrigerante de cola possui tanto açúcar (ou mais) quanto os 4 brigadeiros, mas ninguém acha estranho tomar vários copos do refresco todos os dias.

“Nós não estamos falando de um alimento que as pessoas ingerem apenas às vezes”, diz Christina Economos, nutricionista da Friedman School. “Estamos falando de uma fonte líquida de calorias que as pessoas adicionaram às suas dietas, tomando diariamente ou múltiplas vezes por dia”.

 

QUAL SERÁ O FUTURO DO REFRIGERANTE EM NOSSAS MESAS?

A atitude tomada pelas empresas fabricantes de refrigerante esta semana é uma ótima notícia. Parar de fazer propagandas para as crianças indica que elas estão ouvindo os apelos crescentes de uma sociedade cada vez mais saturada de açúcar. Crianças, por serem mais sugestionáveis e ainda não possuírem conhecimento sobre a boa alimentação, eram as vítimas perfeitas para quem vendia ‘sobremesas líquidas’ repletas de açúcar e de sabor – mas nutricionalmente vazias.

refrigerantes-e-bebidas-açucaradas-são-um-perigo-à-saúdeTomar refrigerantes, por si só, não precisa ser uma atividade proibida. Afinal, estamos falando de bebidas gostosas, que trazem uma sensação de refrescância sem igual. Porém, estes prazeres têm um custo. As quantidades de açúcar exigem que a ingestão seja feita com muito bom senso, preferencialmente não todos os dias.

Nutricionistas defendem que devemos pensar nos refrigerantes da mesma maneira como pensamos em docinhos (brigadeiros, bolos, tortas…): são uma delícia, mas não dá para comer todo dia, muito menos o dia inteiro. Outros defendem, ainda, que cortemos por completo o consumo de refrigerantes – só isso já ajudaria a bloquear o avanço da epidemia de obesidade, garantem.

No final das contas, a equação prática de atividades físicas + boa alimentação = saúde continua verdadeira. Precisamos, para isso, nos conscientizar cada vez mais sobre o que é essa tal de boa alimentação. E trazer para o nosso lado nossos amigos e familiares, pessoas que ainda acreditam que tomar um copo de refrigerante todas as refeições é uma boa ideia!

 

FONTE Redação SobrePeso

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