Aterosclerose

Nos EUA, legisladores e produtores de carne vermelha brigam para definir qual estilo de alimentação é melhor à população.

guerra da carne vermelha
Vegetais ou carne vermelha como fonte de proteínas? A guerra pelo prato anda bastante acirrada.

Muito se tem falado em “alimentação saudável” nos últimos anos. No geral, quando o termo é utilizado, a carne vermelha é vista como grande vilã da boa saúde. Afinal de contas, diversos estudos científicos mostram que o consumo constante deste tipo de alimento aumenta os riscos para uma série de doenças, como o diabetes, problemas cardiovasculares, aterosclerose e até mesmo alguns tipos de câncer, como o coloretal.

O governo norte-americano vem preparando diretrizes alimentares nos últimos meses que praticamente abolem o consumo da carne vermelha e processada. E foram estas diretrizes, as quais podem influenciar as compras de alimentos pelo Exército e para as merendas escolares, que gerou a ira da indústria da carne vermelha.

Nós fomos colocados em uma posição ao longo dos anos em que temos quase que pedir desculpas pelo nosso produto. Nós não vamos mais fazer isso”, disse Barry Carpenter, presidente do Instituto Norte-americano da Carne.

 

EM DEFESA DA CARNE VERMELHA

“Parece que o comitê está mais interessado em publicar o que é modinha entre os “gourmets” do que fornecer bons conselhos à população”, disse um representante dos produtores

Os produtores de carne vermelha se reuniram em associações e estão lutando em Washington, capital dos EUA, por uma mudança na maneira como os legisladores encaram este tipo de alimento. A idéia é barrar o avanço de leis que restrinjam o consumo de carne e mostrar ao público que, no final das contas, ela não faz tão mal assim.

O argumento utilizado pela indústria é o de que carne vermelha magra é parte fundamental de uma dieta rica e equilibrada. A carne é fonte de diversos nutrientes e proteínas essenciais ao bom funcionamento do organismo.

Os comitês governamentais que estão criando as novas diretrizes alimentares escrevem, porém, que tais nutrientes e proteínas podem ser ingeridos através de alimentos como frutos do mar e legumes. A informação de que carne vermelha magra é uma opção viável aparece apenas no rodapé do documento.

michelle obama comida
A primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, é defensora da alimentação saudável para a população – mas os jantares de gala na Casa Branca continuam sendo repletos de boas carnes vermelhas e muitos doces açucarados.

“Parece que o comitê está mais interessado em publicar o que é modinha entre os “gourmets” do que fornecer conselhos cientificamente embasados para a dieta da população”, atacou Howard Hill, presidente do Conselho Nacional de Produtores de Suínos.

Enquanto o bate-boca persiste, uma vitória o lobby da carne vermelha já conseguiu. Nas primeiras versões das novas diretrizes alimentares, havia menções de que a população deveria basear sua alimentação mais em plantas do que em derivados animais (como carnes), uma vez que isto ajuda a manter o meio-ambiente conservado (plantações de hortaliças e leguminosas ocupam muito menos espaço físico do que rebanhos, além de gerar impacto ambiental menor). Após reclamações severas dos produtores de carnes, tais conselhos já foram completamente retirados da documentação oficial e não aparecerão mais nas próximas versões.

Benefícios à saúde só valem quando o açaí é consumido sem adição de açúcar.

acai colesterol saude

Seja no Norte do país, onde a pasta roxa acompanha um filé de peixe, ou mais ao Sul, com o creme gelado servido com frutas em um dia quente, os brasileiros já se renderam ao açaí e o incorporaram no cardápio. Agora, uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) descobriu que, além de boa opção de refeição ou de sobremesa, o alimento pode trazer benefícios para a saúde.

A professora da Escola de Nutrição da Ufop (Enut) Renata Nascimento explica que o estudo foi realizado com 42 mulheres saudáveis entre 18 e 32 anos (idade média de 24 anos) orientadas a consumir 200 g da polpa da fruta por dia, durante quatro semanas. Na análise do sangue das voluntárias foi observada a ação da fruta na prevenção da aterosclerose (acúmulo de gordura nas artérias), reduzindo o colesterol ruim (LDL) e aumentando o bom (HDL).

“Em relação ao metabolismo do colesterol, observamos aumento da atividade da enzima paraoxonase, que previne a oxidação de LDL e a redução da concentração de LDL oxidada. Assim, podemos sugerir que o açaí pode auxiliar na redução da oxidação de LDL e prevenir a formação da placa ateromatosa”, afirma Renata.

Consumo. Com um histórico de problemas de colesterol na família e a indicação da nutricionista, a advogada Fernanda Aganetti, 34, diz que passou a consumir o creme cerca de quatro vezes por semana. “Sempre gostei de tomar coisas geladas por causa do calor, então resolvi substituir o sorvete pelo açaí, porque é mais saudável. Eu gosto de praticar esporte e me dá energia”, afirma.

Fernanda conta que o sobrinho Lucca Mendes, de apenas 9 meses, também já aprendeu a gostar de açaí. “Ele experimentou aos 4 meses de idade, e o pediatra não restringiu o consumo. Ele come com outras frutas, mais ralo, e adora”, diz.

SEM Açúcar

Segundo a pesquisadora, o consumo in natura, como ocorre nos Estados do Norte do Brasil, pode ser considerado como um importante componente de prevenção a doenças, mas, se associado a alimentos calóricos e ricos em açúcar, como xaropes, leite condensado e chocolate, o alimento pode ter seus efeitos benéficos neutralizados.

Renata explica que, na verdade, o alimento não é muito calórico. “A polpa congelada contém aproximadamente 90% de água. Considerando isso, o valor calórico de 100 g de polpa congelada tem aproximadamente 70 calorias, o que é equivalente a uma maçã grande ou uma banana média”, afirma.

“Apesar do interesse no açaí, esse é o primeiro estudo feito no Brasil com humanos. Na literatura internacional encontramos dois estudos.”

Próxima fase

Em 2015, outros grupos da Ufop farão estudos com animais para testar os efeitos do açaí contra uma doença inflamatória, e nova pesquisa irá trabalhar com artrite reumatoide.

 

Opção saudável: Suco energizante e desintoxicante

Ingredientes:
100 ml de água de coco, oito a dez morangos, duas colheres de sopa de açaí puro ou em polpa, uma fatia pequena de beterraba, uma fatia fina de gengibre, uma colher de chá de guaraná em pó, uma colher de sopa de mel ou agave, meia folha de couve sem o talo.

Modo de preparo:
Bater tudo no liquidificador, não coar e consumir na hora.

Pesquisa descobre que má alimentação deixa "marcas" no organismo que demoram para ser curadas, mesmo após troca da dieta por uma mais saudável.

habitos alimentares junk food

Não é difícil acreditar que melhorar os hábitos alimentares traz consequências positivas para a saúde. O que cientistas descobriram recentemente, porém, é que os efeitos da má alimentação persistem por muito tempo após a melhora da qualidade nas refeições. E isto tem tudo a ver com um problema de saúde muito comum no Brasil: a aterosclerose.

Em um novo estudo publicado na edição novembro no Journal of Leukocyte Biology, pesquisadores utilizaram ratos para mostrar que, mesmo após o sucesso do tratamento para a aterosclerose — com a redução de colesterol no sangue e uma mudança nos hábitos alimentares —, os efeitos de um estilo de vida saudável demoram a afetar as funções do sistema imunológico.

Na pesquisa, foram separados dois grupos de ratos que tinham genes alterados, o que os deixavam mais suscetíveis ao desenvolvimento de níveis altos de colesterol e aterosclerose. Um dos grupos recebeu uma dieta com alto teor de gordura e rica em colesterol. Os outros animais comeram ração.

Depois de um longo período de alimentação — não explicitado no comunicado à imprensa —, o grupo alimentado com gordura passou a receber ração e, mesmo assim, demorou para ter os efeitos da refeição adequada no organismo.

— Estes estudos são importantes para investigarmos mais sobre medicamentos que possam modificar a epigenética — disse John Wherry, um dos pesquisadores.

A epigenética, segundo a pesquisa, é a parte dos genes que pode ser alterada com a mudança dos hábitos alimentares. Ela tem influência direta no sistema imunológico.

Aprenda nesta matéria o motivo pelo qual muita gente acusa a carne vermelha de causadora de problemas no coração e nos vasos sangüíneos.

carne vermelha saude coracao
Carne vermelha: consumo moderado é essencial.

O consumo de carne vermelha está ligado ao maior risco de doenças cardíacas. No ano passado, pesquisadores do Instituto Lerner de Pesquisa descobriram que, além da relação de gordura e colesterol, há ainda mais uma razão para o risco de aterosclerose e a culpa é toda do intestino.

Por meio de bactérias, o intestino transforma nutrientes encontrados na carne vermelha em metabólitos – produtos do metabolismo –, o que aumenta o risco de doenças cardíacas.

Agora, a equipe de pesquisadores conseguiu descobrir os mecanismos por trás do consumo de carne vermelha e a elevação do risco de aterosclerose (o endurecimento das artérias). Os resultados podem levar a novas estratégias para proteger a saúde cardiovascular.

“Identificamos os mecanismos e os envolvidos no processo. Com isto será possível identificar novas terapias para o bloqueio ou prevenção do desenvolvimento de doenças cardíacas”, disse Stanley Hazen, que liderou o estudo publicado no periódico científico Cell Metabolism.

 

UMA PERIGOSA RECEITA BACTERIANA

Basicamente,os pesquisadores descobriram que as bactérias no intestino convertem um nutriente abundante na carne vermelha, a L-carnitina, para os metabólitos N-óxido de trimetilamina (TMAO) e gama-butyrobetaine, que promovem a aterosclerose.

O entendimento de todo o processo pode permitir no futuro que a produção de carne se altere.

“Ainda vai levar um tempo, mas os estudos presentes podem nos ajudar a desenvolver algo que permita que se possa comer um bife com menos preocupação”, completa.

 

SAIBA MAIS SOBRE ATEROSCLEROSE!

Aterosclerose é uma condição na qual há o acúmulo de material gorduroso nas paredes das artérias. Esse material gorduroso engrossa, endurece (forma depósitos de cálcio) e eventualmente pode bloquear estes vasos sangüíenos. A aterosclerose é um tipo de arteriosclerose. Os dois termos frequentemente são usados com o mesmo significado.

Os fatores de risco da aterosclerose incluem:

  • Diabetes
  • Uso pesado de álcool
  • Pressão arterial alta
  • Níveis altos de colesterol no sangue
  • Dieta com alto teor de gordura
  • Idade avançada
  • Obesidade
  • Histórico pessoal ou familiar de doença cardíaca
  • Fumo

Boa parte dos homens e mulheres acima dos 60 anos apresenta problemas de circulação, em especial nas pernas. Entenda por que isto acontece e o que fazer para prevenir.

circulacao do sangue

A má circulação nas pernas é um problema bastante comum entre homens e mulheres e costuma piorar com o passar dos anos. De acordo com o cirurgião cardiovascular Ronaldo Lopes, do Instituto do Coração (InCor), de Rio Preto, a má circulação das artérias é causada pelo acúmulo de gordura em suas paredes. Quando isso ocorre, elas ficam endurecidas e estreitas, tornando a circulação do sangue bem mais lenta.

Existe também a má circulação das veias causada por um defeito nas válvulas venosas. “A má circulação arterial está relacionada à gordura na parede das artérias, formando a placa de aterosclerose. Essa placa leva ao estreitamento e até à obstrução das artérias, que compromete a oxigenação dos tecidos. As principais causas são colesterol alto, hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, obesidade e sedentarismo.

Os sintomas mais frequentes são cãibras, dores nas pernas ao andar, principalmente em panturrilhas, e sensação de formigamento. Essas dores cessam com o repouso e se repetem quando o paciente volta a caminhar”, explica. Ainda de acordo com Lopes, existe também a má circulação venosa, que leva ao surgimento das conhecidas varizes.

E ocorre quando as válvulas que coordenam a passagem de sangue das pernas para o coração não funcionam como deveriam, fazendo com que o sangue seja acumulado nas veias, provocando deformação. “As veias ficam inchadas e arroxeadas. Geralmente, as pessoas que passam muito tempo em pé ou que têm antecedentes na família estão predispostas a desenvolver o problema. Os sintomas são dores nas pernas, cansaço, peso, inchaço, formigamento, coceira e cãibras”, esclarece.

Tive de mudar

O aposentado Reinaldo Fernandes Mouron, 63 anos, conta que, há 4 anos, começou a sentir dores nas pernas ao caminhar, mas nunca imaginou que pudesse estar com qualquer problema de circulação. “Em 2011, depois de sentir muitas dores nas pernas, procurei um médico e descobri que tenho um problema de circulação crônica, e também apareceu uma aneurisma de 45 milímetros, quando o normal, dizem, é de até 30 milímetros.

De lá pra cá, já fiz algumas cirurgias. Foi preciso colocar alguns stents. Hoje, tenho uma vida normal. Tomo medicamento para afinar o sangue, faço acompanhamentos anuais e sei que preciso manter uma dieta e fazer exercício para não ficar acima do peso. Alguns hábitos eu tive de mudar”, diz

Alimentação e condição física interferem

José Dalmo de Araújo Filho, chefe do serviço de Cirurgia Endovascular e Vascular do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), de Rio Preto, explica que o quadro de má circulação nos membros inferiores pode se agravar com a idade, pois o risco de doença arterial obstrutiva aumenta de 2 a 3 vezes a cada acréscimo de 10 anos na idade, principalmente se não tratada adequadamente.

“O principal sintoma é a claudicação intermitente, ou seja, dor nas pernas quando o indivíduo vai caminhar. Esse sintoma varia de intensidade conforme a gravidade da obstrução das artérias nos membros inferiores. Quanto mais obstruídas as artérias, menos o indivíduo consegue caminhar e maior a intensidade das dores. Em casos mais avançados, o paciente pode apresentar dor em repouso, ulceras isquêmicas e até evoluir para amputação do membro”, diz.

De acordo com o especialista, ao longo da vida, o ideal é sempre prevenir, em qualquer situação, sempre visando a ter saúde e qualidade de vida. O cardiologista Nilton Carlos Spinola Machado explica que, para isso, algumas medidas podem ser adotadas. “Ao adotar algumas medidas e fazer mudanças de hábitos, é possível prevenir e contribuir para a circulação.

Elabore um cardápio rico em fibras: contribui para a digestão, evita o aumento de pressão abdominal, a debilitação das paredes das veias e, assim, reduz-se o risco de sofrer de prisão de ventre, varizes e hemorroidas”, diz. O especialista ainda reforça que o ideal é optar por alimentos com gorduras polissaturadas, que regulam a pressão arterial, a vasodilatação e a coagulação.

“É fundamental utilizar roupas confortáveis e evitar as peças que apertam os músculos das pernas, comprimem a cintura ou mesmo os sapatos ou tênis apertados, já que dificultam a circulação do sangue. Sempre se atentar em levantar um pouco as pernas enquanto se está sentado, ou mantê-las elevadas por alguns minutos quando se deita na cama. Isso ajuda a dar um bom retorno do sangue às veias.

Exercite-se

Outra recomendação é praticar exercícios regularmente para prevenir a má circulação do sangue. Os músculos, ao serem exercitados, atuam como corações secundários, que comprimem as veias e empurram o sangue para a parte superior do corpo. “Ingerir entre dois e três litros de água por dia ajuda a aumentar a eliminação de toxinas e melhorar a circulação.

Fazer massagens relaxantes favorece a circulação sanguínea e também melhora a irrigação dos tecidos. O cigarro é um vilão, que provoca má circulação do sangue, porque a nicotina contida no cigarro danifica as artérias e favorece o aparecimento de varizes”, diz Machado.

Remédio junto a novos hábitos

O cardiovascular Ronaldo Lopes explica a diferença nos tratamentos de verizes. “Quando é um caso de má circulação leve, o tratamento é feito com o uso de medicamentos e algumas medidas, como a diminuição do consumo de sal e alimentos gordurosos, evitar ingerir bebidas alcoólicas, comer alimentos ricos em fibra, beber de 1,5 a 2 litros de água por dia e praticar atividades físicas de baixo impacto, porque isso melhora a circulação sanguínea e o retorno venoso.”

Ainda de acordo com Lopes, para amenizar o inchaço dos pés e os tornozelos é recomendado deitar-se no chão e colocar as pernas para cima, encostadas a uma parede ou almofada, pois isso facilita o retorno do sangue para o coração, diminuindo o inchaço nos membros inferiores. “Mas, se for constatado um caso grave, é necessário um procedimento cirúrgico para melhorar a circulação. Dessa forma, o tratamento esta relacionado à intensidade dos sintomas e não à idade do paciente, claro que pacientes na terceira idade, normalmente, têm mais sintomas, e estes são mais intensos”, explica.

Pesquisa indica que chances de aterosclerose - uma das doenças mais comuns no coração - está relacionada aos níveis de testosterona e ao diabetes tipo 2!

saude do coracao

Já ouviu falar na aterosclerose? Este nome complicado indica uma condição de saúde na qual placas são formadas nas paredes das artérias, dificultando o fluxo do sangue no coração. Estas placas surgem quando há muita gordura e colesterol na circulação. Agora, uma nova pesquisa científica acrescenta outros dois itens na lista de fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, homens que estão com diabetes tipo 2 e têm níveis baixos de testosterona – o “hormônio masculino” – apresentam chances 6x maiores de ter a artéria carótida mais grossa (quando comparados a diabéticos tipo 2 com níveis normais de testosterona).

Isto significa que estes homens correm riscos 54% mais altos de sofrer doenças cardiovasculares.

“Nosso estudo indica uma forte associação entre concentrações baixas de testosterona e a severidade das placas ateroscleróticas, assim como a outros marcadores da doença”, escreveu o médico Javier Mauricio Farias, um dos autores do estudo.

Farias deixou claro que os resultados não explicam se a testosterona contribui diretamente para o desenvolvimento da aterosclerose, ou se apenas sugere um risco elevado. De acordo com o pesquisador, “o estudo é um avanço importante na compreensão dos riscos de eventos cardiovasculares em homens que têm tanto níveis baixos de testosterona quanto diabetes tipo 2″.

 

Cientistas criam “colesterol bom” em laboratório, com capacidade de eliminar o colesterol ruim e ajudar a tratar doenças cardiovasculares.

aterosclerose nanotecnologia
Placas de gordura podem se acumular nos vasos sangüíneos e bloquear o fluxo de sangue, causando doenças perigosas.

Você com certeza já ouviu falar que existem dois tipos de colesterol, o colesterol bom e o ruim. O que talvez não saiba é por que eles têm essa fama. O colesterol ruim (conhecido como LDL) entope as artérias, dificultando a passagem do sangue e podendo provocar enfartos e derrames. Já o colesterol bom (o HDL), além de não entupir artérias, ainda ajuda a tirar o colesterol ruim acumulado nos vasos sangüíneos. O problema é que a alimentação moderna contém muito mais do colesterol ruim do que do colesterol bom, o que aumenta as incidências de doenças cardiovasculares como a aterosclerose.

Porém, uma descoberta extraordinária de uma equipe de cientistas do The Scripps Research Institute, publicada no periódico Journal of Lipid Research, aponta para um futuro próximo no qual o mau colesterol poderá ser combatido não apenas através de melhora na dieta, mas também com a ajuda da nanotecnologia.

 

UM “ROBOZINHO” BIOLÓGICO

A equipe de pesquisadores, liderada pelo dr. M. Reza Ghadiri (foto abaixo), criou artificialmente uma molécula que funciona como o HDL, ajudando a eliminar gorduras no sangue e a retirar o colesterol ruim que está grudado nas paredes dos vasos.

A molécula, de escala nanométrica, possui três estruturas parecidas com bracinhos, que permitem a “captura” de outras moléculas, como o LDL.

“A aterosclerose é a causa número 1 de morte no mundo desenvolvido”, explica Ghadiri. “Esta pesquisa abre um amplo caminho em direção à implementação de novas terapias”.

equipe pesquisadores Scripp
Os responsáveis pela pesquisa, cientistas do Scripps Research Institute: o dr. Reza Ghadiri (centro), Yannan Zhao (esquerda) e Luke Leman (à direita).

 

NOVOS TRATAMENTOS PARA HUMANOS

Em testes com modelos animais, as moléculas criadas em laboratórios foram capazes de diminuir a quantidade de colesterol que entupiam as artérias em apenas duas semanas.

Após 10 semanas de tratamento, a quantidade de colesterol entupindo as artérias diminuiu em 50%. Foi de 40% a redução na quantidade de gordura no sangue.

O colesterol ruim, depois de ser “capturado” pelo HDL sintético, é enviado ao fígado, onde é empacotado e depois eliminado do organismo.

Os pesquisadores continuam a trabalhar na tentativa de aplicar a descoberta a novos tratamentos de saúde para seres humanos. A expectativa é que a técnica de criação de moléculas com nanotecnologia possa servir para tratar várias doenças do coração.

PARA QUEM GOSTA DE DETALHES CIENTÍFICOS

“In vivo efficacy of HDL-like nanolipid particles containing multivalent peptide mimetics of apolipoprotein A-I” J. Lipid Res. 2014 55:(10) 2053-2063.

“Mimetic peptides of human apoA-I helix 10 get together to lower lipids and ameliorate atherosclerosis: is the action in the gut?” J. Lipid Res. 2014 55:(10) 1983-1985.

Consumo de refrigerantes é associado a maiores riscos da doença. Entenda o porquê.

refrigerantes aterosclerose

O desenvolvimento da aterosclerose parece ter início na infância e adolescência e pode ser modificado pela adoção de hábitos alimentares saudáveis. Os açúcares de adição, obtidos na dieta dos jovens principalmente pelo consumo de refrigerantes, têm sido associados com menor sensação de saciedade, resultando no consumo excessivo de calorias e consequente ganho de peso. Além disso, estudos revelam que a sacarose e a frutose (em especial o xarope de milho de alta frutose) aumentam as concentrações plasmáticas de triglicérides e podem diminuir os níveis de HDL-colesterol (HDL-c), com impacto sobre o risco cardiovascular.

A relação entre açúcares de adição e HDL-c foi recentemente investigada em um estudo longitudinal, usando dados da coorte norte-americana National Lung, Heart and Blood Institute’s Growth and Health Study (NGHS). A pesquisa teve 10 anos de seguimento e dela participaram 1166 meninas caucasianas e 1213 afroamericanas, com idade de 9 ou 10 anos ao recrutamento. As informações sobre a alimentação foram coletadas anualmente por meio de diários alimentares de três dias, sendo dois dias da semana e um do final de semana. Os registros foram revisados por nutricionistas treinados pelo centro de coordenação de Nutrição da Universidade de Minnesota e então foi realizado o cálculo dos açúcares de adição, em gramas.

O consumo foi classificado como baixo, quando correspondia a menos de 10% do valor energético total (VET) da dieta, ou alto, quando era igual ou superior a 10% do VET. A análise foi feita a partir de um modelo estatístico com controle para possíveis fatores de confusão, incluindo obesidade, etnia, atividade física, estágio de maturação sexual e idade. Os pesquisadores encontraram que as meninas que tinham baixo consumo de açúcares de adição apresentavam incremento anual na concentração de HDL-c 0,26 mg/dL maior do que as adolescentes que ingeriam e” 10% do VET. Ao longo de 10 anos de estudo, estimou-se um aumento médio de 2,2 mg/dL e de 0,4 mg/dL para as participantes com consumo baixo e alto, respectivamente.

Os achados reforçam a recomendação da Organização Mundial da Saúde sobre o limite diário de consumo de açúcares de adição, que deve ser inferior a 10% do VET. Em suas novas diretrizes que estão em fase de consulta pública, tem sido discutido que maiores benefícios são observados com ingestão abaixo de 5%. Além disso, nos EUA, o Food and Drug Administration (FDA) propôs em fevereiro de 2014 uma série de alterações nos rótulos de alimentos, incluindo a informação sobre a quantidade de açúcares de adição na porção usualmente consumida. São esforços que devem se somar a medidas de saúde pública para prevenção de doenças cardiovasculares em todas as fases da vida.

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