Diabetes

Saiba como ler e participar dos desafios da revista em quadrinhos, produzida pelo Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da UNICAMP.

OCRC revista em quadrinhos diabetes

As questões mais relevantes para quem está com diabetes são discutidas na HQ

Quase todo mundo conhece alguém que está com diabetes. Hoje, no Brasil, já são mais de 12 milhões de pessoas que convivem com a condição, e este número cresce a cada ano. Apesar de ser uma doença comum e bem reconhecida, ser diagnosticado com diabetes ainda é um momento difícil, que gera muitas dúvidas e incertezas.

O que está acontecendo com meu corpo? Que tipo de medicamento deverei tomar? O que eu posso ou não posso comer? Há cura para meu diabetes?

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Temas como a alimentação do diabético também são debatidos de forma simples e clara.

Para ajudar a responder a estas e outras questões, o Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades (OCRC) da UNICAMP lança agora uma revista em quadrinhos educativa sobre o tema.

Diferente de outras revistinhas já lançadas sobre diabetes, a obra do OCRC pretende responder as dúvidas mais comuns entre diabéticos. O roteiro foi preparado após extensa pesquisa sobre quais são as principais dificuldades em compreender a doença e os tratamentos atualmente existentes.

Questões como a ingestão de alimentos doces, a maneira certa de se alimentar, a importância dos exercícios físicos e os motivos pelos quais o açúcar se acumula no sangue são debatidos de maneira clara e divertida.

 

SITUAÇÕES DO COTIDIANO GANHAM PAPEL DE DESTAQUE

Na revistinha, acompanhamos a história da Ana, recém-diagnosticada com diabetes tipo 2. Preocupada com a novidade, ela conversa com seu sobrinho João, diabético tipo 1 há vários anos e “craque” nos conhecimentos sobre a doença.

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Roteiro foi elaborado levando em consideração as dúvidas mais comuns do público-alvo.

A partir desta premissa, a revista aborda as diferenças entre os tipos de diabetes e expõe um painel de situações do cotidiano, explicando como o diabetes pode ser bem administrado em todos os casos.

Ao final da revistinha, há ainda um quiz que testará os conhecimentos adquiridos ao longo da leitura. As respostas podem ser lidas no site especial criado na página do OCRC.

Clique aqui para ler a revistinha!

A revista em quadrinhos é parte dos esforços do OCRC em divulgar informação científica de qualidade para a população. O portal SobrePeso, focado em hábitos de vida saudáveis e que promovem saúde e bem-estar, também faz parte do trabalho de divulgação científica do Centro.

O trato gastrointestinal está relacionado com a resistência à insulina apresentada por obesos e pacientes com diabetes tipo 2 – o tipo mais comum de diabetes.

bacterias intestinais diabetes
Pesquisadores constatam que o controle da obesidade e do diabetes tipo 2 deve começar pelo trato gastrointestinal (Wikimedia Commons)

A constatação é resultado de uma série de estudos realizados por diferentes grupos no mundo e corroborada por pesquisadores do Instituto Nacional de Obesidade e Diabetes – um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e do Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

Alguns dos resultados dos estudos foram apresentados em um painel sobre saúde durante a FAPESP Week Buenos Aires, realizada entre os dias 7 e 10 de abril na capital argentina pela FAPESP em parceria com o Consejo Nacional de Investigaciones Científicas (Conicet).

“Estamos constatando que, além do sistema nervoso central, dos músculos, do fígado e do tecido adiposo, entre outros órgãos, o trato gastrointestinal aparentemente também está envolvido na resistência à insulina”, disse Mário Saad, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FMC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Agora estamos começando a entender que o controle da obesidade e do diabetes tipo 2 deve começar pelo trato gastrointestinal”, afirmou o pesquisador, que coordenou o projeto do INCT.

De acordo com Saad, a resistência à insulina em nível molecular ocorre quando esse hormônio produzido pelo pâncreas – e que promove a entrada de glicose (açúcar) nas células e atua no metabolismo de lipídeos (gordura) e proteínas – não consegue transmitir adequadamente seu sinal às células e ativar um receptor que fosforila (adiciona um grupo fosfato) as proteínas IRS1 e IRS2 em tirosinas.

Ao serem fosforiladas em tirosinas, essas duas proteínas ativam uma família de enzimas envolvidas em funções celulares, chamadas PI 3. Essas enzimas ativam a proteína AKT, que está envolvida na captação de glicose pelas células, entre outras funções, explicou Saad.

“Os efeitos desencadeados pela insulina de aumentar a captação de glicose no tecido muscular, aumentar a síntese de lipídeo no tecido adiposo e bloquear glicogênese [nova formação de açúcar] no fígado dependem, basicamente, desses mecanismos de ativação do receptor de insulina nas células e da fosforilação em tirosina da IRS1 e IRS 2 e da AKT em quinase”, detalhou.

Os pesquisadores observaram, em experimentos realizados com camundongos obesos, que o tecido adiposo dos animais produz interleucinas e ácidos graxos, entre outros compostos, que ativam proteínas serinas quinases.

Ao serem ativadas, essas proteínas serinas quinases fosforilam as proteínas IRS1 e IRS2 em serinas, fazendo com que sofram mudanças conformacionais e não consigam mais interagir com o receptor de insulina para serem fosforiladas em tirosinas.

“A resistência à insulina em nível molecular nada mais é do que a fosforilação prévia das proteínas IRS1 e IRS2 em serinas”, afirmou Saad.

 

Papel da microbiota

A fim de avaliar quanto tempo leva para um animal desenvolver resistência à insulina, os pesquisadores do grupo de Saad realizaram um experimento em que submeteram camundongos a uma dieta hiperlipídica (com grandes quantidades de gordura).

Os resultados do estudo indicaram que após três dias os animais já desenvolviam resistência ao hormônio.

“Os animais desenvolveram resistência à insulina antes de tornarem-se obesos, o que indica que esse quadro precede a obesidade”, apontou Saad. “Os músculos dos animais captaram menos glicose após o início da dieta hiperlipídica”, afirmou.

Segundo o pesquisador, as proteínas IRS1 dos animais que receberam dieta hiperlipídica foram menos fosforiladas em tirosina e a AKT também foi menos ativa.

“Em três dias de dieta hiperlipídica o animal já passa a apresentar uma situação de resistência à insulina em que o hormônio não consegue transmitir de maneira adequada o sinal para as células”, ressaltou.

Uma das possíveis chaves identificadas pelos pesquisadores para explicar por que os camundongos que receberam dieta hiperlipídica desenvolveram resistência à intolerância antes de tornarem-se obesos é um lipídeo chamado LPS.

Encontrado na membrana de bactérias gram-negativas da microbiota intestinal dos mamíferos, esse lipídeo é capaz de ativar proteínas serinas quinases que fosforilam as proteínas IRS1 e IRS2 em serinas, induzindo a resistência à insulina, explicou Saad.

O consumo de dieta hiperlipídica durante três dias causou um aumento nos níveis de circulação e na absorção de LPS pelas bactérias gram-negativas da microbiota intestinal dos animais, revelaram experimentos realizados pelo grupo do pesquisador.

“Ao dar uma dieta hiperlipídica para os animais, nós, aparentemente, modulamos sua microbiota intestinal”, disse. “A modulação causou o aumento da absorção de LPS e, consequentemente, induziu à resistência insulínica antes de os animais desenvolverem obesidade”, contou.

A fim de confrontar os resultados, os pesquisadores realizaram outro estudo em que também alimentaram camundongos tratados com antibióticos para reduzir a microbiota e animais com flora intestinal com dieta hiperlipídica.

Os resultados do estudo, publicado na revista Diabetologia, mostraram que, após três dias de dieta hiperlipídica, os animais com flora intestinal desenvolveram resistência à insulina.

Já os camundongos tratados com antibióticos fosforilaram normalmente as proteínas IRS1 e IRS2 e ativaram a AKT, não desenvolvendo resistência insulínica.

“Os níveis de LPS nos animais tratados com antibióticos foram menores do que os dos camundongos com flora intestinal, o que demonstra que a microbiota é essencial para o desenvolvimento da resistência à insulina”, afirmou Saad.

Os pesquisadores também avaliaram os níveis de ácidos graxos de cadeia curta, como o acetato, que são produzidos pelas bactérias da microbiota intestinal, nos camundongos tratados com antibióticos e nos animais com flora intestinal que receberam dieta hiperlipídica.

As análises indicaram que os níveis desse composto – que ativa uma enzima, chamada AMPK, capaz de aumentar o transporte e a captação de glicose e aumentar a oxidação de lipídeos – foram menores nos camundongos com microbiota.

“O aumento dos níveis circulantes de LPS e, em contrapartida, a redução dos níveis de acetato contribuem para a instalação do quadro de resistência insulínica”, disse Saad.

 

Barreira intestinal

Segundo o pesquisador, os ácidos graxos de cadeia curta e toxinas produzidas pelas bactérias modulam proteínas do epitélio do trato gastrointestinal, alterando a permeabilidade da barreira intestinal.

A dieta hiperlipídica recebida pelos animais tratados com antibióticos reduziu a expressão de uma dessas proteínas – a ZO-1 –, que é importantes para o intestino absorver menos substâncias tóxicas indutoras de resistência insulínica.

“Estamos observando que, logo no início do desenvolvimento da obesidade e do diabetes tipo 2, há uma alteração na microbiota intestinal que é capaz de induzir a uma alteração na barreira do intestino e fazer com que a pessoa absorva mais substâncias tóxicas que vão induzir a resistência à insulina e menos substâncias que poderiam protegê-la da instalação desse quadro de saúde”, disse.

Os pesquisadores realizaram um estudo em humanos, com pacientes com Aids tratados com o coquetel de drogas para inibir o avanço do vírus HIV, para avaliar os níveis de LPS desse grupo populacional que costuma desenvolver resistência insulínica durante o tratamento da doença.

Os resultados das análises indicaram que os níveis de LPS nesses pacientes são tão elevados como os de pessoas obesas e com diabetes tipo 2.

“Os níveis elevados de LPS nesses pacientes com HIV indicam que eles têm uma alteração na microbiota e na permeabilidade da barreira do trato intestinal, que induz à resistência insulínica”, afirmou Saad.

 

Principal causa da perda de dentes no mundo, a doença periodontal afeta em maior número os diabéticos. Entenda o que é esta doença e qual a relação com o diabetes.

Adoença periodontal (DP) é a maior causa de perdas dentárias, acometendo aproximadamente de 10 a 15% da população mundial (BAELUM et al., 2004), sejam diabéticos ou não-diabéticos. Trata-se de uma desordem inflamatória causada por bactérias e que compromete as estruturas de suporte dos dentes (AAP, 1999; GRAVES et al., 2008; LAMSTER et al., 2007). Ou seja, é uma infecção que afeta tanto a gengiva quanto o osso que envolve cada dente.

Para entender melhor, veja a figura abaixo, que ilustra um dente e compara o periodonto saudável com um doente. No caso da doença, ocorre inflamação gengival que evolui para perda do osso que suporta o dente, podendo levar, em grau severo, à perda desse dente.

 

A RELAÇÃO ENTRE DOENÇA PERIODONTAL E DIABETES

doenca periodontal e diabetes
Comparação entre Periodonto Saudável e Doença Periodontal.
Imagem: www.msodontologia.blogspot.com.br

A doença periodontal foi reconhecida como a sexta maior complicação associada ao Diabetes Mellitus (LOE, 1993). Além disso, já foi observado que a DP ocorre em maior extensão e severidade em indivíduos portadores de diabetes do que naqueles não portadores da doença (LU et al., 2004; MEALEY et al., 2006; PAPAPANOU, 1996).

As principais bactérias que causam a DP são: Porphyromonas gingivalis, Prevotella intermedia, Tannerella forsythia e Aggregatibacter actinomycetemcomitans (ANDRIANKAJA et al., 2006; HAFFAJEE et al., 2008). No entanto, as bactérias sozinhas não são suficientes para que a DP ocorra; é a reação do organismo a essas bactérias que determina o grau de comprometimento da doença.

Neste aspecto, devemos lembrar que algumas pessoas têm uma reação imunológica maior contra estas bactérias e que o hábito de fumar (JOHNSON et al., 2001) e o controle da glicemia podem influenciar a ocorrência e severidade da DP (LIM et al., 2007; TSAI et al., 2002). Por outro lado, sendo a DP uma infecção, ela pode induzir um estado inflamatório sistêmico permanente (crônico) (LOOS, 2005), com possível impacto sobre o controle glicêmico.

 

AUTORAS
autoras foar unesp_3
Faculdade de Odontologia de Araraquara, FOAr-UNESP

 

REFERÊNCIAS
  • AAP. International International Workshop for a Classification of Periodontal Diseases and Conditions. Papers. Ann Periodontol. 1999; 4: 1-112.
  • Graves DT, Kayal RA. Diabetic complications and dysregulated innate immunity. Front Biosci. 2008; 13: 1227-39.
  • Lamster IB, Ahlo JK. Analysis of gingival crevicular fluid as applied to the diagnosis of oral and systemic diseases. Ann N Y Acad Sci. 2007; 1098: 216-29.
  • Loe H. Periodontal disease. The sixth complication of diabetes mellitus. Diabetes Care. 1993; 16(1): 329-34.
  • Lu HK, Yang PC. Cross-sectional analysis of different variables of patients with non-insulin dependent diabetes and their periodontal status. Int J Periodontics Restorative Dent. 2004; 24(1): 71-9.
  • Mealey BL, Oates TW, American Academy of P. Diabetes mellitus and periodontal diseases. J Periodontol. 2006; 77(8): 1289-303.
  • Papapanou PN. Periodontal diseases: epidemiology. Ann Periodontol. 1996; 1(1): 1-36.
  • Baelum V, Lopez R. Periodontal epidemiology: towards social science or molecular biology? Community Dent Oral Epidemiol. 2004; 32: 239-49.
  • Andriankaja OM, DeNardin E, Dunford R, Dorn J, Trevisan M. The association between metabolic syndrome and periodontal disease. Am J Epidemiol 2006;163:S30-S30.
  • Haffajee AD, Socransky SS, Patel MR, Song X. Microbial complexes in supragingival plaque. Oral microbiology and immunology 2008;23:196-205.
  • Johnson GK, Slach NA. Impact of tobacco use on periodontal status. J Dent Educ. 2001; 65: 313-21.
  • Lim LP, Tay FB, Sum CF, Thai AC. Relationship between markers of metabolic control and inflammation on severity of periodontal disease in patients with diabetes mellitus. J Clin Periodontol. 2007; 34(2): 118-23.
  • Tsai C, Hayes C, Taylor GW. Glycemic control of type 2 diabetes and severe periodontal disease in the US adult population. Community Dent Oral Epidemiol. 2002; 30(3): 182-92.
  • Loos BG. Systemic markers of inflammation in periodontitis. J Periodontol. 2005; 76: 2106-15.

Pesquisa feita aqui no Brasil mostra como a melatonina, um hormônio que nos ajuda a dormir melhor, está relacionada ao aumento do peso e ao diabetes.

Já ouviu falar na melatonina? A melatonina é conhecida como “hormônio do sono”. Produzida naturalmente pelo corpo poucas horas antes de dormir, ela é uma das responsáveis por acertar o ritmo circadiano do organismo, dizendo ao corpo se é dia ou noite, se é cedo ou se é tarde.

Além de ajudar a controlar melhor o sono, a melatonina também age de maneira abrangente em todo o nosso corpo. Pesquisadores brasileiros, trabalhando no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, descobriram que o hormônio tem papel fundamental no desenvolvimento de doenças como a obesidade e o diabetes. A boa notícia é que, com um pouquinho mais de estudos, talvez seja possível formular novos tratamentos para o sobrepeso, a obesidade e o diabetes tipo 2 através da melatonina.

Acompanhe a seguir os principais trechos de entrevista com o médico José Cipolla Neto, um dos maiores especialistas brasileiros em melatonina, feita pela repórter Karina Toledo, da Agência Fapesp. A entrevista completa você encontra aqui.

 

ENTREVISTA

Agência FAPESP – De que maneira a melatonina regula o peso?

“A melatonina pode ser um possível coadjuvante no tratamento do diabetes do tipo 2”

Cipolla Neto – De várias maneiras. Acima de tudo, a melatonina é um poderoso regulador da secreção e da ação da insulina. [Ela] desempenha muitas funções no organismo. Uma das mais importantes é regular o desvio da energia ingerida para os estoques energéticos, bem como a retirada de energia desses estoques para uso nas atividades do dia a dia. Pode ser vista, portanto, como um possível coadjuvante no tratamento do diabetes do tipo 2, decorrente da resistência insulínica. Mesmo no diabetes do tipo 1, no qual há pouca produção de insulina, a melatonina poderia melhorar a ação desse hormônio pancreático. Também é um poderoso agente anti-hipertensivo. (…) Quando, em experimentos, a melatonina é retirada de animais, observamos redução na ação da insulina e desregulação no ciclo circadiano. Isso também ocorre com qualquer pessoa que, por algum motivo, passa a ter uma produção menor de melatonina. Isso leva a um distúrbio metabólico cujas consequências são obesidade, resistência insulínica e hipertensão.

 

AF – O que pode prejudicar a produção de melatonina?

“Ver TV (ou mexer no smartphone) à noite pode ser um dos fatores por trás da epidemia de obesidade da sociedade contemporânea”

CN – A principal causa de queda na produção noturna de melatonina é a fotoestimulação. A maioria das pessoas começa a produzir esse hormônio por volta de 20 horas. Quando o indivíduo se expõe à luz durante a noite, seja vendo TV ou mexendo no smartphone ou no computador, a síntese de melatonina que deveria estar ocorrendo nesse período é bloqueada. Esse pode ser um dos fatores por trás da epidemia de obesidade da sociedade contemporânea. Também há fatores relacionados com intervenções médicas. Várias drogas usadas na clínica alteram a produção de melatonina, como os betabloqueadores, os bloqueadores de canal de cálcio e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (as três drogas são usadas contra hipertensão). Indiscutivelmente, os mais poderosos são a poluição luminosa noturna e o trabalho no turno da noite.

 

AF – Como tornar a rotina menos danosa para quem não tem a possibilidade de dormir cedo ou acordar tarde?

CN – Uma das coisas que têm sido sugeridas é eliminar o comprimento de onda da luz azul, de 480 nanômetros, que controla a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina. As empresas de iluminação já estão trabalhando nesse tema. Estudos mostraram que, se o ambiente noturno estiver com baixas intensidade de luz azul, o indivíduo pode permanecer trabalhando sem ter a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina afetadas significativamente. Mas esse é justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. Há empresas que vendem películas para colocar na tela e filtrar a luz azul. É uma forma de lidar com o problema.

withings aura melatonina
O Withings Aura é um aparelho, à venda nos EUA, que emite luz vermelha na hora de dormir e luz azul na hora de acordar, estimulando a produção correta da melatonina pelo corpo.

AF – Em quais casos seria indicada a suplementação de melatonina?

“Suplementos de melatonina podem ser importantes contra o câncer, hipertensão e para regular o metabolismo”

CN – Já há respaldo internacional de várias sociedades médicas para o tratamento de alguns tipos de insônia e também do jet lag (descompensação do ritmo circadiano causada por viagens). Também há evidências poderosas de que ela pode ser um agente terapêutico importante contra o câncer, hipertensão e um regulador do metabolismo energético. Mas para essas três condições ainda está sendo estudada a forma mais adequada de tratamento.

 

AF – O senhor acha que, em breve, os médicos, ao tratarem obesidade, hipertensão e diabetes, vão prescrever também a melatonina?

CN – Não tenho a menor dúvida. O tratamento com betabloqueador, por exemplo, retira do paciente um componente fisiológico importante para o combate à hipertensão. Nada mais justo que nesses indivíduos se faça reposição terapêutica de melatonina. É algo que os cardiologistas estão discutindo atualmente.

 

AF – O consumo de suplemento pode causar diminuição da produção natural do corpo?

“É importante tomar melatonina somente à noite, pouco antes de dormir”

CN – Não. A melatonina exógena que o indivíduo toma é um poderoso sincronizador dos ritmos circadianos e, portanto, ajuda a regularizar a produção endógena. Mas é crucial observar que, em qualquer circunstância, o consumo de melatonina deve ocorrer somente à noite, cerca de uma hora ou 30 minutos antes de dormir.

 

AF – Se tomado corretamente o suplemento não teria efeitos colaterais?

CN – Segundo a literatura, a melatonina é um agente sem qualquer efeito tóxico. O único possível problema é a alteração da ritmicidade circadiana caso o indivíduo tome no horário ou na dose inadequada. Em crianças, os cuidados precisam ser maiores. Dependendo do uso, da quantidade, pode provocar um retardo pubertário. Mas a substância é prescrita para tratar várias doenças infantis com distúrbio de sono associado, como síndrome das pernas inquietas, síndrome de Smith-Magenis e até autismo. Ao consolidar o sono, a melatonina faz com que a vigília seja mais eficiente e atua como um agente neuroprotetor.

 

AF – Se a melatonina não oferece riscos, por que foi proibida no Brasil?

CN – A Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] proibiu há cerca de 20 anos porque estava sendo feito uso inadequado. Na época, havia propagandas na televisão com pessoas famosas dizendo “já tomei minha melatonina hoje”. Isso só traz danos. Melatonina é um hormônio e tem de haver normas de administração muito bem controladas. A literatura mundial hoje conta com evidências suficientes para liberar a venda no Brasil, mas para uso sob prescrição médica.

Segundo estudo, mulheres que estavam acima do peso tinham 4 vezes mais chance de desenvolver diabetes gestacional.

diabetes gestacional gravidez

O mantra de manter hábitos saudáveis antes mesmo da gravidez ganhou um reforço esta semana. Um novo estudo mostrou que atitudes saudáveis podem reduzir quase 50% dos casos de diabetes gestacional, complicação comum e que tem implicações para a saúde de mães e bebês no longo prazo.

Ao longo das últimas décadas foram identificados vários fatores de risco para a diabetes gestacionais que seriam facilmente modificáveis antes da gravidez. Entre os fatores estão a manutenção de um peso saudável, uma dieta saudável, atividade física regular, e o não tabagismo.

A equipe de pesquisadores baseada nos Estados Unidos examinou os efeitos de quatro fatores de estilo de vida – manutenção de um peso saudável, uma dieta saudável, atividade física regular, e o não tabagismo.

Além de concluir que hábitos saudáveis poderias reduzir quase que pela metade os casos de diabetes gestacional, eles também calcularam quanto cada fator poderia ser considerado preventivo para a diabetes gestacional.

Os resultados são consideráveis e a equipe coordenada por Cuilin Zhang , pesquisadora sênior dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, da sigla em Inglês),  inclusive afirmou que todas as mulheres que planejam engravidar devem ser encorajadas a adotar um estilo de vida saudável.

“Embora seja sempre difícil mudar o comportamento, o período antes e durante a gravidez pode representar uma oportunidade para mudar o estilo de vida. Afinal de contas, estas mulheres podem estar particularmente motivadas para aderir ao conselho e melhorar a gestação e o nascimento dos bebês”, afirmaram os pesquisadores em estudo publicado no periódico científico British Medical Journal.

Os resultados foram baseados no monitoramento de mais de 14 mil mulheres saudáveis que participaram de um estudo chamado Nurses’ Health Study II, realizado entre 1989 e 2001.

Na base de dados deste estudo os pesquisadores puderam comparar índices como peso, dieta, nível de atividade física e tabagismo. Diabetes gestacional foi reportada em 823 gestações.

De acordo com a equipe de pesquisadores, o fator de risco mais forte para a diabetes gestacional foi o sobrepeso ou obesidade.

As mulheres com IMC acima de 33 estavam mais de quatro vezes mais propensas a desenvolver diabetes gestacional em comparação às mulheres que tinham um IMC normal antes da gravidez.

As mulheres que tinham uma combinação de três fatores de baixo risco (não fumar , praticar atividade física regularmente e ter um peso saudável ) eram 41% menos propensas a desenvolver diabetes gestacional em comparação com outras mulheres grávidas.

Este número subiu para 52 % — ou seja, o risco de ter diabetes gestacional diminuiu — no caso das mulheres que começaram a gravidez com peso normal.

Em comparação com as mulheres que não cumprem nenhum dos fatores, aqueles que preenchem os quatro critérios tiveram um risco 83% menor de desenvolver diabetes gestacional.

Apesar de mais saudáveis, muita gente torce o nariz para os alimentos integrais. Novo pão é uma tentativa de combater a obesidade e o diabetes tipo 2.

novo pao integral com gosto de branco
O pão integral contém mais nutrientes e fibras do que pães tradicionais, sendo uma ótima pedida para quem precisa controlar a quantidade de alimento ingerido.

Pense em um alimento que todo mundo adora comer todos os dias, é barato, gostoso, fácil de encontrar…só que engorda bastante? E então, você também pensou em pão?!

Na hora de iniciar uma dieta, é comum as pessoas tentarem cortar o pão da alimentação, pois a fama de ser um alimento “gordo” é bastante difundida. E isto é verdade: quase todos os tipos de pãotêm, no geral, uma quantidade relativamente alta de carboidratos e poucos nutrientes.

O pão integral, todavia, possui características que o tornam melhor à saúde. Quando produzido com uma mistura seleta de farinhas e ingredientes pouco processados, o pão integral contém muitas fibras, que ajudam a emagrecer e a fazer o intestino funcionar melhor.

 

FIBRAS – O QUE VALE A PENA SABER

Fibras, apesar de serem carboidratos também, não são “quebradas” pelo nosso organismo. Isto é, fibras não são uma fonte de nutrição para seres humanos. Por isso, ingerir fibras não aumenta a glicemia.

Quando comemos fibras, elas chegam quase “intactas” ao intestino, onde ajudam na evacuação. Além disso, elas aumentam a sensação de saciedade. Quem se alimenta de bastante fibras come menos e sente-se mais satisfeito. Ainda, fibras ajudam a diminuir o colesterol ruim e, em pesquisas científicas, mostraram ser eficazes no controle da glicemia em quem consumia grandes quantidades delas diariamente.

O problema é que muita gente não suporta comer pão integral. A textura é diferente, o sabor é diferente e o preço costuma ser maior. Por isso, o consumo do pão branco continua sendo o campeão em todo o mundo. O fato, associado à falta de fibras na alimentação das pessoas, contribui com as epidemias de obesidade, sobrepeso e diabetes tipo 2 que afetam boa parte dos países.

Um grupo de nutricionistas pretende reverter este quadro. Cientistas da Organização Holandesa de Pesquisas Científicas Aplicadas conseguiram produzir um pão integral com a mesma textura e o mesmo gostinho do pão branco tradicional.

“Nós quisemos colocar os benefícios à saúde do pão integral – e possivelmente mais do que isso – em produtos de panificação que têm o gosto e as qualidades do pão branco”, contou Jan-Willem van der Kamp, líder do grupo de pesquisas.

O “pão branco integral” está em estágios finais de desenvolvimento e pesquisas de validação no mercado. A expectativa é que seu preço seja um pouquinho superior ao do pão branco tradicional quando chegar aos supermercados europeus, mas as vantagens à saúde prometem tornar o custo-benefício muito mais agradável aos bolsos dos aficionados por pães.

Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades (UNICAMP) promove ação educacional sobre prevenção do diabetes.

evento diabetes na praca

Já pensou participar de um evento educativo sobre diabetes no qual haverá, gratuitamente, testes de detecção da doença e de risco de pé diabético, avaliações de antropometria, orientações sobre alimentação saudável e, além disso tudo, ainda dicas de atividades físicas?

Pois este evento existe, chama-se “Diabetes na Praça” e ocorrerá neste sábado, dia 29, no centro de Campinas! Ele ocorre em comemoração do Novembro Azul, uma campanha global de alerta da população sobre os riscos e perigos do diabetes.

O “Diabetes na Praça” é promovido pelo Centro de Pesquisas em Obesidade e Comorbidades (OCRC), da UNICAMP, em parceria com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, a Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, a Faculdade de Ciências dos Alimentos da Unicamp/Limeira, os hospitais Mario Gatti e Celso Pierro, a Prefeitura Municipal de Campinas, a Faculdade São Leopoldo Mandic e a Unimed Campinas.

O objetivo das ações do Novembro Azul é chamar a atenção dos brasileiros para a importância de cuidados como o controle da alimentação e a prática de atividades físicas, capazes de prevenir o diabetes tipo 2, responsável por mais de 90% dos casos da doença e o único tipo de diabetes que pode ser evitado. Os problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, são as maiores causas de mortalidade no diabético, e podem ser evitados com a prevenção da doença.

De acordo com dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF), que lidera a campanha, em todo o mundo mais de 400 milhões de pessoas têm a doença e um alto percentual delas vive em países em desenvolvimento. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, já são cerca de 14 milhões de pessoas com diabetes. Quinhentos novos casos surgem a cada dia. Está mais do que na hora de tentar reverter este quadro.

Serviço: Evento Diabetes na Praça

Quando: Sábado, 29 de Novembro de 2014, das 8 as 13h.

Onde: Praça Rui Barbosa, atrás da Catedral Metropolitana, no calçadão da Rua 13 de Maio. Campinas – São Paulo

Número de pessoas que tem diabetes, mas não sabem, cresce 14%. Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de casos da doença.

numeros do diabetes no brasil

O número de pessoas que têm diabetes e não sabem cresceu no Brasil. São mais de 3,2 milhões casos sem diagnóstico. É o que aponta um estudo internacional obtido com exclusividade pelo Bom Dia Brasil. O país ocupa a quarta posição no ranking mundial de casos.

Ele nunca poderia imaginar que uma dor nas pernas seria algo tão sério. O aposentado Ivaldo Correia estava com diabetes em grau tão avançado que tinha atingido o sistema vascular. “Tinha feito diversos exames de sangue, dava alto e ninguém fazia nada, não tomava atitude, até que quando eu fui para o geriatra, ele começou a dizer: ‘Olha você tem que cuidar dessa diabete’”, conta.

Ele fez três pontes de safena, complicações que poderiam ter sido evitadas. “O paciente, quando tem diabetes e não sabe, ele não controla a glicemia que é (sic) a taxa de açúcar no sangue, então ele fica por muito tempo com essa taxa descontrolada, e quanto mais descontrolada está a taxa, maior é a agressão para as artérias”, afirma Eduardo Favero, angiologista e cirurgião vascular.

No Brasil, cresceu o número de pessoas que tem diabetes, mas não sabem. São 3,2 milhões casos não diagnosticados da doença, um aumento de 14% em relação a 2013. O estudo foi feito pela Federação Internacional de Diabetes, que divulgou o mapa mundial da doença.

Segundo a pesquisa, o Brasil tem mais de 11,6 milhões diabéticos, 8,7% da população de 20 a 79 anos. No número estimado de doentes, o país ocupa o quarto lugar no ranking, atrás da China, Índia e Estados Unidos.

O poder público precisa investir mais na prevenção da doença, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. “Se fizesse campanhas como esta que estamos fazendo nesse mês azul, ou mês do diabetes, no sentido de alertar a população e fazer detecção da doença, você vai ter menos pessoas deixadas à margem do conhecimento da sua doença”, analisa Walter Minicucci, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Além dos problemas da falta de diagnóstico e do diagnóstico tardio, existe um fator que tem contribuído muito para o aumento do número de diabéticos no país: a mudança, para pior, dos hábitos alimentares do brasileiro. Comida industrializada com muito sal, muito açúcar e pouco exercício físico é uma péssima combinação.

“Pela praticidade mesmo, tem muito fast food, coisa rápida, então acaba se alimentando pior mesmo”, diz uma mulher.

Bom Dia Brasil: O que você mais gosta de comer?
Anne Gabrielli Covre: Eu escolheria hambúrguer e batata frita, com certeza.
Bom Dia Brasil: E uma saladinha, arroz e feijão?
Anne Gabrielli Covre: Eu gosto mas eu acho que mais gostoso mesmo é o fast food.

“Deveria ser só de vez em quando, mas acaba sendo uma regra por causa da vida agitada, a gente não tem tempo, acaba comendo na rua sempre”, diz Rosemeri Covre, professora.

Para os pesquisadores, a doença deve continuar avançando no Brasil. Daqui a 20 anos, serão mais de 19 milhões de diabéticos. “Mudar os hábitos urgentemente, perdendo peso, comendo melhor, fazendo atividade física e, se possível, diminuindo o nível de estresse e jogando o cigarro fora pisando em cima dele nunca mais olhando para o maço de cigarro”, recomenda Walter Minicucci.

O Ministério da Saúde informou que criou políticas para reforçar o atendimento na atenção básica da saúde. E que os pacientes têm acesso a tratamento e a remédios de graça no SUS.

Uma pesquisa realizada em Harvard envolvendo células-tronco tem feito a mídia proclamar que a “cura do diabetes” chegou. Entenda exatamente o que aconteceu.

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Imagem da pesquisa revolucionária, mostrando células beta funcionais transplantadas em camundongos.

O mundo inteiro anda em polvorosa com os resultados de uma pesquisa científica realizada na Universidade de Harvard, EUA, envolvendo células-tronco. Jornais dos quatro cantos do planeta anunciam a “cura do diabetes”. Pesquisadores famosos afirmaram que “trata-se da descoberta mais importante desde a invenção dos antibióticos”. Tantas reações extremas merecem uma explicação detalhada e realista. Afinal de contas, o que aconteceu na sexta-feira que deixou tanta gente tão animada?

 

A DESCOBERTA DE DOUGLAS MELTON

Cientistas de Harvard, liderados pelo pesquisador Douglas Melton, conseguiram, pela primeira vez, transformar células tronco humanas em células beta funcionais.

Há muito tempo grupos de pesquisa em todo o planeta tentam encontrar a fórmula certa para esta transformação. O que se sabia até esta sexta-feira era como gerar células beta não funcionais a partir de células tronco (ou seja, as células “se pareciam” com células beta, porém não funcionavam corretamente).

 

Para entender
Células tronco: são células humanas indiferenciadas, com o potencial de se transformar em outros tipos de células. A partir das mesmas células tronco, é possível criar, por exemplo, células do coração, cérebro ou células beta. Para que as células tronco “se transformem” em outros tipos celulares, é necessário “alimentá-las” com uma combinação superespecífica de moléculas. O desafio dos cientistas é encontrar qual a combinação correta para que elas se transformem nos tipos celulares desejados.
Células beta: são as células do pâncreas que produzem insulina e controlam a glicemia. Em diabéticos tipo 1, o sistema imune do corpo ataca estas células, diminuindo a produção natural de insulina e, assim, gerando o diabetes.

 

RECEITA PARA O SUCESSO

Douglas Melton

Douglas e sua equipe descobriram a receita molecular que induz uma célula tronco humana (tanto embrionária quanto a de pluripotência induzida) a passar pelos vários estágios de desenvolvimento até se transformar em uma célula beta completa.

Tal receita foi um desafio enorme para a equipe, que testou centenas de combinações de moléculas até encontrar a fórmula mágica: acrescentar dois ou três fatores de crescimento de cada vez em um processo de seis passos, induzindo aos poucos a transformação de células indiferenciadas em células beta.

Segundo Douglas, as células beta geradas em laboratório “conseguem ler a quantidade de açúcar no sangue e, então, secretar a quantidade exata de insulina de maneira tão incrivelmente acurada que eu não acredito que isso será jamais reproduzido por injeções ou bombas de insulina”.

 

O QUE ISTO SIGNIFICA PARA DIABÉTICOS?

A descoberta alimenta grandes esperanças de que, em pouco tempo, diabéticos que hoje dependem de insulina poderão realizar um transplante de células beta funcionais.

Isto poderia eliminar a necessidade de injeções de insulina e possibilitar o controle natural da glicemia.

Com isto, o diabetes estaria, de fato, curado.

Se o transplante der certo em humanos, esta cena será parte da história.

O transplante também seria eficaz para diabéticos tipo 2 que utilizam insulina para controlar a glicemia.

 

QUANTO TEMPO ATÉ A DESCOBERTA VIRAR CURA?

“Pacientes me perguntam quando a cura chegará, e nada me toca mais do que meus próprios filhos, que perguntam isso o tempo todo”, disse Douglas em coletiva de imprensa. “Eu digo o seguinte: agora nós sabemos que podemos fazer estas células”.

As células beta de laboratório já foram testadas em camundongos diabéticos e funcionaram perfeitamente, ajudando a controlar a glicemia e eliminar o excesso de açúcar no sangue em apenas 10 dias. Os primeiros testes com primatas estão em fase de estudos.

O cientista explicou que os próximos passos incluem adequar o protocolo de geração das células beta a um padrão industrial, utilizando para isso sinais de indução altamente purificados. Somente assim as agências regulatórias governamentais aceitarão o uso das células em humanos. Douglas acredita que conseguirá fazer isso em cerca de um ano.

Depois disso, chegará a hora de escolher a melhor maneira de inserir as novas células beta no organismo dos diabéticos de maneira segura, garantindo que o sistema imune não as destrua. Métodos de proteção – como cápsulas especiais que permitem a passagem de nutrientes para alimentar as células novas, mas bloqueiam o ataque do sistema imune – são a grande aposta da equipe médica.

 

PAI DE FILHOS DIABÉTICOS

Além da curiosidade científica, o grande motivador dos trabalhos de Douglas Melton é o fato de que o pesquisador tem dois filhos com diabetes. Há 20 anos, seu primogênito era diagnosticado com diabetes tipo 1. Poucos anos depois, nasceu sua filhinha, também diabética.

Nesta época, Douglas decidiu deixar as pesquisas sobre desenvolvimento de sapos para se dedicar exclusivamente ao diabetes.

Duas décadas depois, o mundo inteiro agradece o empenho e a decisão do cientista. Uma pesquisa iniciada por amor aos filhos pode se tornar em sorrisos nos rostos dos mais de 380 milhões de diabéticos em todo o mundo.

A exposição ao sol pode desacelerar o ganho de peso e o desenvolvimento de diabetes tipo 2, segundo pesquisa realizada em ratos.

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Cientistas descobriram que a radiação ultravioleta em ratos superalimentados fez com que os animais comessem menos. Mas a vitamina D, produzida pelo corpo em resposta à luz solar, não estaria envolvida no fenômeno, disse o estudo.

Após o tratamento com luz ultravioleta, os ratos do estudo também apresentaram menores sinais de alerta de diabetes tipo 2, tais como níveis anormais de glicose e resistência à insulina (condição em que a insulina produzida pelo corpo é insuficiente ou ineficiente para processar a glicose nas células).

Estes efeitos estavam ligados ao óxido nítrico, que é liberado pela pele após a exposição à luz solar. O mesmo efeito foi obtido quando um creme contendo este composto foi aplicado sobre a pele dos ratos.

Os pesquisadores disseram que os resultados devem ser interpretados com cautela, pois ratos são animais noturnos, cobertos de pelo, e que normalmente não são expostos a muita luz solar.

A descoberta, feita por cientistas de Edimburgo (Escócia), Southampton (Inglaterra) e Perth (Austrália), foi divulgada na publicação científica Diabetes. Mais pesquisas são necessárias para descobrir se a luz do sol tem o mesmo efeito em humanos, disseram especialistas.

“Nós sabemos de estudos epidemiológicos que aqueles que tomam sol vivem mais do que aqueles que passam a vida na sombra. Estudos como esse nos ajudam a entender como o sol pode ser bom para nós”, disse Richard Weller, professor de dermatologia da Universidade de Edimburgo.

“Precisamos lembrar que o câncer de pele não é a única doença que pode matar e talvez devessemos equilibrar o nosso conselho de exposição ao sol”.

Shelley Gorman, do Instituto Telethon Kids, de Perth, na Austrália, e principal autora do estudo, disse que os resultados mostraram que a luz do sol era um elemento importante de um estilo de vida saudável.

“Eles sugerem que a exposição ocasional da pele à luz solar, juntamente com a prática de exercícios e uma dieta saudável, pode ajudar a prevenir o desenvolvimento da obesidade em crianças”.

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