Combatendo o colesterol alto com nanotecnologia

Cientistas criam “colesterol bom” em laboratório, com capacidade de eliminar o colesterol ruim e ajudar a tratar doenças cardiovasculares.

aterosclerose nanotecnologia
Placas de gordura podem se acumular nos vasos sangüíneos e bloquear o fluxo de sangue, causando doenças perigosas.

Você com certeza já ouviu falar que existem dois tipos de colesterol, o colesterol bom e o ruim. O que talvez não saiba é por que eles têm essa fama. O colesterol ruim (conhecido como LDL) entope as artérias, dificultando a passagem do sangue e podendo provocar enfartos e derrames. Já o colesterol bom (o HDL), além de não entupir artérias, ainda ajuda a tirar o colesterol ruim acumulado nos vasos sangüíneos. O problema é que a alimentação moderna contém muito mais do colesterol ruim do que do colesterol bom, o que aumenta as incidências de doenças cardiovasculares como a aterosclerose.

Porém, uma descoberta extraordinária de uma equipe de cientistas do The Scripps Research Institute, publicada no periódico Journal of Lipid Research, aponta para um futuro próximo no qual o mau colesterol poderá ser combatido não apenas através de melhora na dieta, mas também com a ajuda da nanotecnologia.

 

UM “ROBOZINHO” BIOLÓGICO

A equipe de pesquisadores, liderada pelo dr. M. Reza Ghadiri (foto abaixo), criou artificialmente uma molécula que funciona como o HDL, ajudando a eliminar gorduras no sangue e a retirar o colesterol ruim que está grudado nas paredes dos vasos.

A molécula, de escala nanométrica, possui três estruturas parecidas com bracinhos, que permitem a “captura” de outras moléculas, como o LDL.

“A aterosclerose é a causa número 1 de morte no mundo desenvolvido”, explica Ghadiri. “Esta pesquisa abre um amplo caminho em direção à implementação de novas terapias”.

equipe pesquisadores Scripp
Os responsáveis pela pesquisa, cientistas do Scripps Research Institute: o dr. Reza Ghadiri (centro), Yannan Zhao (esquerda) e Luke Leman (à direita).

 

NOVOS TRATAMENTOS PARA HUMANOS

Em testes com modelos animais, as moléculas criadas em laboratórios foram capazes de diminuir a quantidade de colesterol que entupiam as artérias em apenas duas semanas.

Após 10 semanas de tratamento, a quantidade de colesterol entupindo as artérias diminuiu em 50%. Foi de 40% a redução na quantidade de gordura no sangue.

O colesterol ruim, depois de ser “capturado” pelo HDL sintético, é enviado ao fígado, onde é empacotado e depois eliminado do organismo.

Os pesquisadores continuam a trabalhar na tentativa de aplicar a descoberta a novos tratamentos de saúde para seres humanos. A expectativa é que a técnica de criação de moléculas com nanotecnologia possa servir para tratar várias doenças do coração.

[quote_box_center]

PARA QUEM GOSTA DE DETALHES CIENTÍFICOS

“In vivo efficacy of HDL-like nanolipid particles containing multivalent peptide mimetics of apolipoprotein A-I” J. Lipid Res. 2014 55:(10) 2053-2063.

“Mimetic peptides of human apoA-I helix 10 get together to lower lipids and ameliorate atherosclerosis: is the action in the gut?” J. Lipid Res. 2014 55:(10) 1983-1985.

[/quote_box_center]

Deixe um comentário

Digite seu comentário
Digite seu nome aqui