Entenda por que a má circulação se agrava com a idade

Boa parte dos homens e mulheres acima dos 60 anos apresenta problemas de circulação, em especial nas pernas. Entenda por que isto acontece e o que fazer para prevenir.

circulacao do sangue

A má circulação nas pernas é um problema bastante comum entre homens e mulheres e costuma piorar com o passar dos anos. De acordo com o cirurgião cardiovascular Ronaldo Lopes, do Instituto do Coração (InCor), de Rio Preto, a má circulação das artérias é causada pelo acúmulo de gordura em suas paredes. Quando isso ocorre, elas ficam endurecidas e estreitas, tornando a circulação do sangue bem mais lenta.

Existe também a má circulação das veias causada por um defeito nas válvulas venosas. “A má circulação arterial está relacionada à gordura na parede das artérias, formando a placa de aterosclerose. Essa placa leva ao estreitamento e até à obstrução das artérias, que compromete a oxigenação dos tecidos. As principais causas são colesterol alto, hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, obesidade e sedentarismo.

Os sintomas mais frequentes são cãibras, dores nas pernas ao andar, principalmente em panturrilhas, e sensação de formigamento. Essas dores cessam com o repouso e se repetem quando o paciente volta a caminhar”, explica. Ainda de acordo com Lopes, existe também a má circulação venosa, que leva ao surgimento das conhecidas varizes.

E ocorre quando as válvulas que coordenam a passagem de sangue das pernas para o coração não funcionam como deveriam, fazendo com que o sangue seja acumulado nas veias, provocando deformação. “As veias ficam inchadas e arroxeadas. Geralmente, as pessoas que passam muito tempo em pé ou que têm antecedentes na família estão predispostas a desenvolver o problema. Os sintomas são dores nas pernas, cansaço, peso, inchaço, formigamento, coceira e cãibras”, esclarece.

Tive de mudar

O aposentado Reinaldo Fernandes Mouron, 63 anos, conta que, há 4 anos, começou a sentir dores nas pernas ao caminhar, mas nunca imaginou que pudesse estar com qualquer problema de circulação. “Em 2011, depois de sentir muitas dores nas pernas, procurei um médico e descobri que tenho um problema de circulação crônica, e também apareceu uma aneurisma de 45 milímetros, quando o normal, dizem, é de até 30 milímetros.

De lá pra cá, já fiz algumas cirurgias. Foi preciso colocar alguns stents. Hoje, tenho uma vida normal. Tomo medicamento para afinar o sangue, faço acompanhamentos anuais e sei que preciso manter uma dieta e fazer exercício para não ficar acima do peso. Alguns hábitos eu tive de mudar”, diz

Alimentação e condição física interferem

José Dalmo de Araújo Filho, chefe do serviço de Cirurgia Endovascular e Vascular do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), de Rio Preto, explica que o quadro de má circulação nos membros inferiores pode se agravar com a idade, pois o risco de doença arterial obstrutiva aumenta de 2 a 3 vezes a cada acréscimo de 10 anos na idade, principalmente se não tratada adequadamente.

“O principal sintoma é a claudicação intermitente, ou seja, dor nas pernas quando o indivíduo vai caminhar. Esse sintoma varia de intensidade conforme a gravidade da obstrução das artérias nos membros inferiores. Quanto mais obstruídas as artérias, menos o indivíduo consegue caminhar e maior a intensidade das dores. Em casos mais avançados, o paciente pode apresentar dor em repouso, ulceras isquêmicas e até evoluir para amputação do membro”, diz.

De acordo com o especialista, ao longo da vida, o ideal é sempre prevenir, em qualquer situação, sempre visando a ter saúde e qualidade de vida. O cardiologista Nilton Carlos Spinola Machado explica que, para isso, algumas medidas podem ser adotadas. “Ao adotar algumas medidas e fazer mudanças de hábitos, é possível prevenir e contribuir para a circulação.

Elabore um cardápio rico em fibras: contribui para a digestão, evita o aumento de pressão abdominal, a debilitação das paredes das veias e, assim, reduz-se o risco de sofrer de prisão de ventre, varizes e hemorroidas”, diz. O especialista ainda reforça que o ideal é optar por alimentos com gorduras polissaturadas, que regulam a pressão arterial, a vasodilatação e a coagulação.

“É fundamental utilizar roupas confortáveis e evitar as peças que apertam os músculos das pernas, comprimem a cintura ou mesmo os sapatos ou tênis apertados, já que dificultam a circulação do sangue. Sempre se atentar em levantar um pouco as pernas enquanto se está sentado, ou mantê-las elevadas por alguns minutos quando se deita na cama. Isso ajuda a dar um bom retorno do sangue às veias.

Exercite-se

Outra recomendação é praticar exercícios regularmente para prevenir a má circulação do sangue. Os músculos, ao serem exercitados, atuam como corações secundários, que comprimem as veias e empurram o sangue para a parte superior do corpo. “Ingerir entre dois e três litros de água por dia ajuda a aumentar a eliminação de toxinas e melhorar a circulação.

Fazer massagens relaxantes favorece a circulação sanguínea e também melhora a irrigação dos tecidos. O cigarro é um vilão, que provoca má circulação do sangue, porque a nicotina contida no cigarro danifica as artérias e favorece o aparecimento de varizes”, diz Machado.

Remédio junto a novos hábitos

O cardiovascular Ronaldo Lopes explica a diferença nos tratamentos de verizes. “Quando é um caso de má circulação leve, o tratamento é feito com o uso de medicamentos e algumas medidas, como a diminuição do consumo de sal e alimentos gordurosos, evitar ingerir bebidas alcoólicas, comer alimentos ricos em fibra, beber de 1,5 a 2 litros de água por dia e praticar atividades físicas de baixo impacto, porque isso melhora a circulação sanguínea e o retorno venoso.”

Ainda de acordo com Lopes, para amenizar o inchaço dos pés e os tornozelos é recomendado deitar-se no chão e colocar as pernas para cima, encostadas a uma parede ou almofada, pois isso facilita o retorno do sangue para o coração, diminuindo o inchaço nos membros inferiores. “Mas, se for constatado um caso grave, é necessário um procedimento cirúrgico para melhorar a circulação. Dessa forma, o tratamento esta relacionado à intensidade dos sintomas e não à idade do paciente, claro que pacientes na terceira idade, normalmente, têm mais sintomas, e estes são mais intensos”, explica.

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