Menos açúcar, maior colesterol bom?

Consumo de refrigerantes é associado a maiores riscos da doença. Entenda o porquê.

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O desenvolvimento da aterosclerose parece ter início na infância e adolescência e pode ser modificado pela adoção de hábitos alimentares saudáveis. Os açúcares de adição, obtidos na dieta dos jovens principalmente pelo consumo de refrigerantes, têm sido associados com menor sensação de saciedade, resultando no consumo excessivo de calorias e consequente ganho de peso. Além disso, estudos revelam que a sacarose e a frutose (em especial o xarope de milho de alta frutose) aumentam as concentrações plasmáticas de triglicérides e podem diminuir os níveis de HDL-colesterol (HDL-c), com impacto sobre o risco cardiovascular.

A relação entre açúcares de adição e HDL-c foi recentemente investigada em um estudo longitudinal, usando dados da coorte norte-americana National Lung, Heart and Blood Institute’s Growth and Health Study (NGHS). A pesquisa teve 10 anos de seguimento e dela participaram 1166 meninas caucasianas e 1213 afroamericanas, com idade de 9 ou 10 anos ao recrutamento. As informações sobre a alimentação foram coletadas anualmente por meio de diários alimentares de três dias, sendo dois dias da semana e um do final de semana. Os registros foram revisados por nutricionistas treinados pelo centro de coordenação de Nutrição da Universidade de Minnesota e então foi realizado o cálculo dos açúcares de adição, em gramas.

O consumo foi classificado como baixo, quando correspondia a menos de 10% do valor energético total (VET) da dieta, ou alto, quando era igual ou superior a 10% do VET. A análise foi feita a partir de um modelo estatístico com controle para possíveis fatores de confusão, incluindo obesidade, etnia, atividade física, estágio de maturação sexual e idade. Os pesquisadores encontraram que as meninas que tinham baixo consumo de açúcares de adição apresentavam incremento anual na concentração de HDL-c 0,26 mg/dL maior do que as adolescentes que ingeriam e” 10% do VET. Ao longo de 10 anos de estudo, estimou-se um aumento médio de 2,2 mg/dL e de 0,4 mg/dL para as participantes com consumo baixo e alto, respectivamente.

Os achados reforçam a recomendação da Organização Mundial da Saúde sobre o limite diário de consumo de açúcares de adição, que deve ser inferior a 10% do VET. Em suas novas diretrizes que estão em fase de consulta pública, tem sido discutido que maiores benefícios são observados com ingestão abaixo de 5%. Além disso, nos EUA, o Food and Drug Administration (FDA) propôs em fevereiro de 2014 uma série de alterações nos rótulos de alimentos, incluindo a informação sobre a quantidade de açúcares de adição na porção usualmente consumida. São esforços que devem se somar a medidas de saúde pública para prevenção de doenças cardiovasculares em todas as fases da vida.

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