Vitamina D – a cura para o câncer no pâncreas?

Cientistas norte-americanos anunciam que a vitamina D tem potencial para curar um dos tipos mais violentos de câncer. Estudos com seres humanos já começaram.

cancer pancreas
Quimioterápicos atacam células tumorais em animação do Instituto Salk - potencial cura do câncer pancreático

Na guerra contra o câncer, há um tipo da doença que recebe atenção especial da comunidade médica e científica: o câncer pancreático. A taxa de sobrevida de quem contrai a doença é baixíssima. Para se ter uma idéia, nos EUA, 46.000 pessoas são diagnosticadas por ano com câncer no pâncreas e 40.000 vêm a falecer. O câncer no pâncreas foi quem levou embora Steve Jobs e o ator Patrick Swayze. A boa notícia é que, esta semana, um grupo de cientistas dos EUA anunciou que descobriu uma potencial arma poderosa contra esta doença tão mortal: a vitamina D.

[quote_right]Dentre os benefícios à saúde já comprovados da vitamina D estão o controle da glicemia e a prevenção do diabetes tipo 2 – também eles intimamente relacionados ao pâncreas![/quote_right]

Segundo os pesquisadores, uma forma um pouco diferente da vitamina D natural, criada em laboratório, é capaz de destruir uma barreira de células que “protege” o tumor no pâncreas.

Este “escudo vivo” é formado por células conhecidas como “esteladas”. Quando o tumor começa a se desenvolver no órgão, estas células rapidamente se multiplicam, encobrindo o tumor e impedindo que drogas anti-câncer o atinjam. A barreira impede, até mesmo, que o nosso sistema imune tente combater o câncer. Além disso, as células esteladas fornecem nutrientes que permitem ao tumor crescer.

O vídeo a seguir, produzido pela equipe de cientistas que descobriu o potencial da vitamina D como tratamento ao câncer pancreático, explica as idéias por trás da pesquisa (em inglês)

 

ENTRA A VITAMINA D

Os cientistas testaram em camundongos que tinham câncer no pâncreas um tratamento à base de vitamina D sintética mais drogas anti-câncer. O resultado foi uma sobrevida de 50% nos animais. Isto animou tanto a equipe de pesquisa que, antes mesmo do estudo ter sido publicado, testes clínicos com humanos já foram iniciados.

A vitamina D modificada, de acordo com a pesquisa, faz com que as células esteladas deixem de crescer e funcionar direito. Desta forma, o “escudo vivo” que protegia o câncer perde sua função, permitindo que os medicamentos ataquem o tumor.

“Apesar do sucesso deste medicamento em humanos com câncer pancreático ainda ser incerto, os resultados em modelos animais foram bem fortes, o que aumenta as esperanças de que os testes clínicos trarão um novo tratamento àqueles que sofrem desta terrível doença”, disse Ronaldo Evans (foto), diretor do Laboratório de Expressão Gênica Salk, onde o estudo foi conduzido.

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Ronald Evans, principal autor do estudo com a vitamina D.

 

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Há décadas a Ciência busca uma maneira eficiente de combater o câncer no pâncreas, esta forma tão forte da doença. Na jornada, descobriu-se que pessoas com este tipo de câncer tinham, no geral, níveis menores de vitamina D no sangue do que o normal.

Assim, diversos estudos tentaram combater o câncer pancreático através da administração de vitamina D. Nenhum deles deu certo.

“Testes anteriores com a vitamina D falharam porque ninguém sabia da necessidade de uma forma especial de vitamina D [a sintética]. Além disso, drogas quimiotóxicas também têm de ser utilizadas em conjunto”, disse Ronald.

Ou seja, apesar desta vitamina ser, de fato, o segredo para o combate ao câncer pancreático, é importante ressaltar que apenas a forma modificada – criada neste estudo – é eficaz como medida terapêutica.

“Ao repensar o problema, nós conseguimos abrir uma nova rota para o tratamento do câncer pancreático e, no futuro, para outras doenças também”, completou o pesquisador.

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