<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>POF | SobrePeso</title>
	<atom:link href="https://www.sobrepeso.com.br/tag/pof/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.sobrepeso.com.br</link>
	<description>Dicas e segredos para manter o peso sob controle!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 25 Apr 2022 16:29:57 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	
	<item>
		<title>A alimentação dos adolescentes que já não era boa, agora está pior</title>
		<link>https://www.sobrepeso.com.br/a-alimentacao-dos-adolescentes-que-ja-nao-era-boa-agora-esta-pior/</link>
					<comments>https://www.sobrepeso.com.br/a-alimentacao-dos-adolescentes-que-ja-nao-era-boa-agora-esta-pior/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[CEPID OCRC]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 16:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Dicas de Alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Em destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais & Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[adolescentes]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente alimentar]]></category>
		<category><![CDATA[POF]]></category>
		<category><![CDATA[ultraprocessados]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.sobrepeso.com.br/?p=2680</guid>

					<description><![CDATA[<p>A adolescência é uma fase da vida em que mudanças importantes acontecem no organismo humano e na convivência social dos indivíduos. É na adolescência que o crescimento e a maturação de vários órgãos, inclusive os relacionados ao sistema reprodutor e imunológico, acontecem. Estima-se que, nesse período da vida, ganhamos, em média, 20% da nossa altura, [&#8230;]</p>
<p>The post <a href="https://www.sobrepeso.com.br/a-alimentacao-dos-adolescentes-que-ja-nao-era-boa-agora-esta-pior/">A alimentação dos adolescentes que já não era boa, agora está pior</a> first appeared on <a href="https://www.sobrepeso.com.br">Sobre Peso</a>.</p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A adolescência é uma fase da vida em que mudanças importantes acontecem no organismo humano e na convivência social dos indivíduos. É na adolescência que o crescimento e a maturação de vários órgãos, inclusive os relacionados ao sistema reprodutor e imunológico, acontecem. Estima-se que, nesse período da vida, ganhamos, em média, 20% da nossa altura, 50% de nosso peso corporal e 40% da massa óssea que sustenta nosso corpo. É também na adolescência que acontece a maturação de neuro circuitos e intenso remodelamento do cérebro, o que permite que adolescentes tenham alta capacidade de absorverem novos aprendizados.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa plasticidade do cérebro é, no entanto, uma faca de dois gumes: se por um lado é essencial para o desenvolvimento intelectual dos adolescentes, também favorece que deficiências nutricionais nessa fase sejam capazes de causar déficits permanentes de cognição e de memória, além de desordens emocionais. Por outro lado, a obesidade na adolescência pode causar modificações importantes no centro do cérebro responsável pela sensação de recompensa, o que já foi associado a redução da sensação de saciedade e a comportamentos impulsivos com relação à alimentação, o que, entre outras coisas, faz com que a obesidade na adolescência aumente em 8 vezes a probabilidade de perpetuar a obesidade na vida adulta.</p>
<p style="text-align: justify;">São fatos como esses que fazem da adolescência uma fase da vida em que a má nutrição é bastante preocupante<strong>. <span style="color: #0000ff;">Então, afinal, como está a alimentação dos adolescentes brasileiros?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A <a href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/24786-pesquisa-de-orcamentos-familiares-2.html?=&amp;t=o-que-e" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><span style="color: #000000;">Pesquisa de Orçamento Familiar (POF)</span></strong></a>, realizada pelo <span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://www.ibge.gov.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)</strong></a></span>, é a principal fonte de informação sobre a alimentação dos brasileiros desde que incluiu no seu questionário uma sessão totalmente dedicada à coleta de dados sobre consumo alimentar, em sua edição de 2008-2009. Desde a primeira edição até a mais recente edição da POF, conduzida em 2017-2018, pesquisadores observaram modificações importantes no hábito alimentar dos brasileiros, especialmente dos adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se, em 2008, os adolescentes já tinham um consumo maior de alimentos ultraprocessados</strong> (refrigerante, biscoito, linguiça, salsicha, mortadela, sanduíches e salgados) <strong>e menor de feijão, saladas, verduras e frutas quando comparados a adultos e idosos, na edição da <span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/24786-pesquisa-de-orcamentos-familiares-2.html?=&amp;t=resultados" target="_blank" rel="noopener noreferrer">POF de 2017-2018</a></span>, essa diferença ficou ainda mais preocupante.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em um suplemento especial da <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.rsp.fsp.usp.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><span style="color: #000000;">Revista de Saúde Pública</span></strong></a></span>, publicado em 2021, pesquisadores do núcleo de assessoria técnica do IBGE apresentaram a comparação entre as duas edições da POF evidenciando que houve redução generalizada no consumo de arroz e feijão, carne, frutas, leite e seus derivados, pão, carne processada e refrigerantes em paralelo a um <strong>aumento no consumo de sanduíches e salgados em todas as faixas etária</strong>, mostrando que a sociedade brasileira caminha para uma substituição do padrão alimentar tradicional por um padrão alimentar importado das grandes potências ocidentais, como os Estados Unidos da América, onde a prevalência de obesidade é assustadoramente alta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o resultado mais preocupante ainda está por vir. A redução no consumo de frutas foi maior nos adolescentes, enquanto a redução dos refrigerantes foi menor nesse mesmo grupo, fazendo com que a qualidade da alimentação dessa faixa etária se distancie ainda mais das demais – o que já não estava bom em 2008, tornou-se ainda pior em 2017.</p>
<p style="text-align: justify;">E, para mostrar a seriedade desse cenário, os pesquisadores traduziram os impactos dessas mudanças no padrão da alimentação dos adolescentes em mudanças na ingestão de micronutrientes importantíssimos para a saúde nessa fase da vida. Em ambos os sexos, o consumo de sódio aumentou. Nos adolescentes do sexo masculino, de 2008 a 2017, a ingestão de cálcio, que já estava baixa em 97,4% dos adolescentes, agora atinge 98,1% deles.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas é nas meninas que o cenário é realmente crítico: a ingestão baixa de cálcio passou de 98% para 99%; a de magnésio aumentou de 58% para 65%; a de fósforo, de 64% aumentou para 71%; a de zinco, de 21% foi para 26%; a de vitamina A, de 69% aumentou para 79%; a de riboflavina (vitamina B2) foi de 27% para 40%; e a de piridoxina (vitamina B6), de 71% para 76%.</p>
<p style="text-align: justify;">Se expostos por tempo prolongado a essas deficiências, os adolescentes podem acabar com quase todos os processos de desenvolvimento do organismo comprometidos. A deficiência de cálcio, por exemplo, além do comprometimento para a formação da massa óssea, principal destino do cálcio no organismo, também compromete o crescimento, impedindo que o adolescente atinja o potencial de altura esperado para a vida adulta. Por sua vez, deficiências de vitamina A e piridoxina, às quais as meninas brasileiras parecem estar sujeitas, podem causar anemia – isso mesmo! Não é apenas a deficiência de ferro que pode causar a redução na quantidade de glóbulos vermelhos no sangue – e a anemia em adolescentes pode comprometer a função do sistema imunológico, o rendimento escolar (muitas vezes com prejuízos ao sucesso profissional desses indivíduos e para a sociedade), e promover alterações comportamentais e emocionais também bastante danosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, então, <span style="color: #0000ff;"><strong>como ajudar nossos adolescentes a aderirem a uma dieta mais saudável?</strong></span> Essa pergunta foi o que estimulou os cientistas a estudarem o comportamento alimentar dos adolescentes em busca de fatores que influenciam as escolhas alimentares nessa faixa etária, a fim de desenhar estratégias que possam utilizar esses fatores a favor de escolhas alimentares saudáveis e sustentáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Segundo um amplo levantamento publicado pela revista científica The Lancet, uma das mais importantes da área da saúde, o ambiente alimentar é o fator mais importante para moldar o padrão alimentar dos adolescentes ao redor do mundo</strong>. Isso porque é nessa fase também que o remodelamento cerebral combinado a altas taxas do hormônio testosterona no sangue favorecem a influência social nas decisões dos adolescentes, aumentando o desejo por independência e autonomia, bem como uma tendência a se arriscarem mais para ganharem aceitação e status entre seus colegas.</p>
<p style="text-align: justify;">É nesse contexto de elevada busca por aceitação social e identidade que, segundo o levantamento, <strong>os adolescentes se importam menos com a qualidade nutricional e com o sabor do que estão comendo e mais com o ato de comer com amigos e, em alguns contextos, com a família.</strong> O ato social de se alimentar, portanto, tem mais valor para o adolescente do que o papel biológico dos nutrientes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O valor social da alimentação não seria um problema se esses adolescentes estivessem inseridos em um ambiente onde a alimentação tradicional, composta de alimentos locais e <em>in natura</em>, rica em significado e, também, em nutrientes fosse mais propagandeada do que o padrão alimentar importado de outros países e difundido pelas multinacionais produtoras de alimentos.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, o cenário no qual o adolescente brasileiro se insere é dominado pelo marketing agressivo das grandes marcas de alimentos ultraprocessados, quase onipresentes – na televisão, nos filmes, nos vídeos do YouTube, nos games, na disposição dos produtos nos supermercados, na venda casada, nas embalagens, no patrocínio de atletas e ídolos e, não menos importante, nas redes sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">O que aprendemos com esse cenário, então, é que <strong><span style="color: #0000ff;">a adolescência não só é um período crucial para o desenvolvimento humano, mas pode ser também uma janela de oportunidades para a educação nutricional e para modificações no ambiente alimentar.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Munir os adolescentes de argumentos para que façam suas escolhas menos influenciados pelo marketing de alimentos e mais influenciados por sua cultura, valorizando outros aspectos da alimentação tradicional, como, por exemplo, sua contribuição para a preservação do meio ambiente – já que é nessa fase que o engajamento em causas humanitárias e ambientais também aflora de forma mais intensa &#8211; pode ser um meio de direcioná-los a melhores decisões, sem, no entanto, privá-los da independência e da autonomia tão essenciais nessa fase da vida. E, por que não? Usar os recursos de mídias, especialmente as redes sociais a nosso favor.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, o ambiente alimentar, como acabamos de aprender, é um fator muito mais influente nessa faixa etária do que o conhecimento e a educação sobre alimentação saudável. Logo, não veremos grandes mudanças sem um comprometimento de agentes públicos e privados que possam, por exemplo, mas não somente, modificar a oferta de alimentos das cantinas; controlar o marketing agressivo das grandes marcas; ou, ainda, melhorar o acesso financeiro e físico aos alimentos tradicionais de cada região do Brasil através de incentivos fiscais e políticas públicas.</p>
<p><strong>Referências:</strong></p>
<ol>
<li>Lynnette M Neufeld, Eduardo B Andrade, Ahna Ballonoff Suleiman, Mary Barker, Ty Beal, Lauren S Blum, Kathrin M Demmler, Surabhi Dogra, Polly Hardy-Johnson, Anwesha Lahiri, Nicole Larson, Christina A Roberto, Sonia Rodríguez-Ramírez, Vani Sethi, Teresa Shamah-Levy, Sofia Strömmer, Alison Tumilowicz, Susie Weller, Zhiyong Zou. Food choice in transition: adolescent autonomy, agency, and the food environment. The Lancet, Volume 399, Issue 10320, 2022, Pages 185-197, ISSN 0140<span style="color: #000000;">-6736. <a style="color: #000000;" href="https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)01687-1">https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)01687-1</a>.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009 : análise do consumo alimentar pessoal no Brasil / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. &#8211; Rio de Janeiro : IBGE, 2011. 150 p.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Rodrigues RM, Souza; AM, Bezerra IN, Pereira RA, Yokoo; EM, Sichieri R. Most consumed foods in Brazil: evolution between 2008–2009 and 2017–2018. Rev Saude Publica. 2021;55 Supl 1:4s. https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2021055003406.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Shane A Norris, Edward A Frongillo, Maureen M Black, Yanhui Dong, Caroline Fall, Michelle Lampl, Angela D Liese, Mariam Naguib, Ann Prentice, Tamsen Rochat, Charles B Stephensen, Chiwoneso B Tinago, Kate A Ward, Stephanie V Wrottesley, George C Patton. Nutrition in adolescent growth and development. The Lancet, Volume 399, Issue 10320, 2022, Pages 172-184, ISSN 0140-6736. <a style="color: #000000;" href="https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)01590-7">https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)01590-7</a>.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Verly-Jr E, Marchioni DM, Araujo MC, De Carli E, Oliveira DCRS, Yokoo EM, et al. Evolução da ingestão de energia e nutrientes no Brasil entre 2008–2009 e 2017–2018. Rev Saude Publica. 2021;55 Supl 1:5s. <a style="color: #000000;" href="https://doi.org/10.11606/s1518-%208787.2021055003343">https://doi.org/10.11606/s1518- 8787.2021055003343.</a></span></li>
</ol>
<table style="border-collapse: collapse; width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td style="width: 100%;"><strong>SOBRE A AUTORA:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/92638/marina-maintinguer-norde/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img loading="lazy" class="wp-image-2682 alignleft" src="https://www.sobrepeso.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Marina-Norde_Foto-298x300.jpg" alt="" width="190" height="191" srcset="https://www.sobrepeso.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Marina-Norde_Foto-298x300.jpg 298w, https://www.sobrepeso.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Marina-Norde_Foto-150x150.jpg 150w, https://www.sobrepeso.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Marina-Norde_Foto-768x774.jpg 768w, https://www.sobrepeso.com.br/wp-content/uploads/2022/04/Marina-Norde_Foto.jpg 828w" sizes="(max-width: 190px) 100vw, 190px" /></a></strong><strong>Marina Maintinguer Norde</strong><br />
<em>Nutricionista, mestra e doutora em Nutrição em Saúde Pública (FSP-USP), pesquisadora colaboradora do Laboratório de Investigação em Diabetes e Metabolismo, vinculado ao         Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades, atuando em pesquisas epidemiológicas, estudando a qualidade da alimentação da população brasileira e seus reflexos na saúde.</em></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table><p>The post <a href="https://www.sobrepeso.com.br/a-alimentacao-dos-adolescentes-que-ja-nao-era-boa-agora-esta-pior/">A alimentação dos adolescentes que já não era boa, agora está pior</a> first appeared on <a href="https://www.sobrepeso.com.br">Sobre Peso</a>.</p>]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.sobrepeso.com.br/a-alimentacao-dos-adolescentes-que-ja-nao-era-boa-agora-esta-pior/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
